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Adalberto e sua coluna, 'Babel'

Adalberto, o Santos
Por Paul Hasen

Adalberto Santos
Adalberto Santos, escritor paraibano, 29 anos, quatorze perdidos na escola, 20 e poucos gastos lendo porcarias (e algumas delícias), dois ou 12 (doze) vendo coisas sem graça e programas de tv idem, qu4tro indo a missas, velórios, casamentos, conhecendo lugares e pessoas, dez dando aulas, e 11 ganhando a vida com o capim pago por empresas e pelo governo. O resto do tempo plantou árvores e preencheu estatísticas em sua sobrevida(1).

Fluente em línguas batidas, passa as noites lendo e relendo ou escrevendo e reescrevendo (seu esporte); os dias, reclamando do mundo e das pessoas. Quis ser pintor quando criança, não deu (sonha que na aposentadoria se realiza pintando). Quis ser músico, não deu. Estudou violão de plástico, violinos de mosquito, flauta de talo de mamoeiro, entre outros. Mas nunca engoliu um piano. Acha que por isso desafina cantando e toca ruim qualquer instrumento. Ama a música, contudo. Sem tudo, apesar dos fracassos, nunca desanimou. Acredita que, se der, Deus dará.

Têm coisas que detesta, mas não diz. Têm coisas que adora, mas também não diz. As coisas que detesta mas não diz são muito, muito complexas, e ficam mal resumidas assim, mas vamos: gente metida, gente com lombriga, gente sem guarida. “Às vezes da dó de ver essas coisas”, afirmou quase chorando em entrevista ao escritor Luís dos Perdões(2). As coisas de que gosta se resumem sem muita complexidade: se dormiu, gosta de acordar, se sujou, gosta de limpar, se comeu e não gostou, diz (ou uma outra ordem, tanto faz).

É branco, estatura médica e salário de funcionário público, olhar esbugalhado como o de um pássaro assombrado (olhos esverdeados apenas, do que se ressente). Já fumou, já bebeu e foi deus muito, deus de muita coisa e nada. Ganhou concursos, passou em concursos, perdeu concursos, amou mulheres, perdeu mulheres, amou mulheres...
Os amigos o adoram. Principalmente se, juntos, ele não opina, não... Como não diria sua avó, é rico das graças e da seriedade de Deus, o que talvez explique sua doidice, sua calvície e sua chatice proibida para menores de 29 anos e em diante.
Como Platão, acredita que a Natureza são duas: uma é a de verdade, outra é a de mentira. Esta última é a que gozamos.

Dizem que a ironia é a sua marca, assim no esporte como na vida. Não importa, para mim trata-se de um bom sujeito, triste, embora. Tenho por ele uma admiração mística. Devo chamá-lo Santos, Adalberto raras vezes. Na verdade, ele é assim: Meu São Francisco dentro dele, minha Santa Clara, meu São Sebastião, minha Santa Luzia, todos os santos.

1. Por favor, entendam: o autor é, por natureza, ecologista, mas não trabalha no IBGE, embora haja ocupado cargo temporário no Instituto, em 1996, como ajudante de um cara que assinava uns papéis. O termo “estatísticas”, no contexto, foi usado em sentido estritamente literário. Se tiverem dúvida, consultem meu livro Viel Schläger, viel Schläger. Lá tudo explicadinho está. Obrigado.

2. Perdões, Luís dos. Os druídas. Editora do Porto, Portugal, 1977.


Babel se apresenta

Esta coluna poderia ter outro nome. Talvez algo próximo à alegria e ao otimismo, pois nela, em princípio, as coisas mais extraordinárias teriam voz. Não que ousasse tratar de assuntos místicos ou de auto-ajuda. Isso é lá com o Paulo Coelho. Tudo menos dicas para embelezar a alma alheia. Poderia ter outro nome mas não tem. Chama-se Babel. É que à força do compromisso com outros compromissos, os colunistas elegem o espírito da total liberdade ao escrever. Sem que não se cobre nada, sem que se cobrem um dos outros. Ou seja, escrever por prazer, e dessa forma, sem que haja um só caminho pelo qual correr da pena.

Em verdade, escreve-se sobre diversos temas, em diversos textos e linguagens - não em várias línguas, sorry!, ainda que, aos leitores mais distraídos, o nome da coluna o sugira, apesar de o título lembrar o fabuloso mito bíblico inscrito em Gênesis!
Ainda assim, nas alturas de uma Babel a língua estará solta. Aos que esperam ler com liberdade escritos livres e independentes, na confusão de vozes, culturas, conhecimentos, referências, signos e perspectivas em permanente re-criação na qual nos inseriram, Babel se apresenta.

Babel no Miolo de Pote será como um espetáculo de música, desses de difícil classificação. Haverá vezes em que se ouvirão os instrumentos, depois uns solos de voz, noutras vocais, e ainda noutras combinações entre a orquestra e o resto. Muitos movimentos, variados ritmos, infinitos temas... Misturas, como toda Babel mistura sonhos e mitos.
Palavra-torre, Babel. Subamos!

E-mail: PoteDoAdalberto@gmail.com
Blog pessoal do Adalberto Santos:
Nu com a minha musa

Então é assim que tem que ser! Gosto deste seu humor-quase-ironia. Gosto do escritor e estou gostando cada vez mais do Adal.
Lendo sobre Babel, acho que o nome casou perfeitamente com a proposta. E de certa forma, casa com vc, um escritor que nem sempre precisa ser entendido, né? rs...
Beijos

Grande Adalberto! Mais um blog da tua "atribulada vida", heim? Sempre com o talento cultural nas alturas, eucidando à sua maneira todas as nuances possíveis pra se ver o/no mundo. É isso ai meu chapa. Babel neles!

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