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Arte Incomum



Volta por cima

Em 1986, Israel de França, músico, foi preso pela Polícia Militar em Olinda, Pernambuco, carregando um violino. Negro, pobre, Israel só conseguiu provar ao delegado que não era ladrão ao interpretar trecho da cantata “Jesus, alegria dos homens”, de Johann Sebastian Bach. O episódio virou Caso especial na TV Globo. Após sua aparição na televisão, o jovem músico participou de curso de férias em Brasília e acabou estudando no Conservatório de Música de Lisboa. Israel vive há 15 anos na Espanha, onde faz parte da Orquestra da Cidade de Granada e é diretor e proprietário do Conservatório Villa-Lobos na cidade. Em dezembro de 2005, Israel de França volta ao Brasil e, numa cerimônia discreta, doa quinze violinos e uma viola ao Conservatório de Música de Yapoatan, na cidade pernambucana de Jaboatão dos Guararapes.


Fonte: Reporte JC.
Imagem: jamillan.com/violin

bach faz milagres

Quando a arte transgride a realidade.

Emocionante. Viva o País que o acolheu!

É o Brasil dos talentos e das desigualdades. Parabéns pelo post!

Infelizmente não conheço Israel, mas vou ficar atento.

Helena, bom dia e obrigada pela visita!
Fico contente que tenha gostado - em meio a tantos blogs falando de política e tantas outras coisas mais, falar da busca do auto-conhecimento é futucar um vespeiro! Mas já devo ter uns 6 leitores, mais do que os 3 do Agamenon ;-)...
Seja bem vinda e volte sempre!
A propósito: entendo bem a vida de Israel, vivo com alguém do meio musical e a vida é difícil, mesmo com infinito talento. Bom final de semana, bjs

Isso fala tão de perto de pernambucanos, pobres e artistas. Israel encontrou seu caminho, muitos perambulam pelo Brasil.

O país consegue ser tão injusto, em um só extrato social.

A imagem do post vale o post e tudo o que dele contém. Parabéns Tróia, parabéns Miolo de Pote!

Uma história com final feliz! Tão dificil para um negro e pobre!
Que haja espaço para outros como Israel!
Ótimo texto, Helena. Como são sempre os seus.
Beijocas

Nem todas, crianças pobres, negras e brancas, com a mesma sorte de Israel.

Olá, obrigado pela visita.
O ser humano sempre julgando pelas aparências! Conheço um punhado de ladrões lá no Planalto, (aliás quem não conhece?)que até hoje a polícia ainda não colocou as mãos, e ainda doam, não violinos, mas promessas, santinhos e ilusões para quem não acredita em arte.
Um abraço.
Marcio.

Somos uma espécie de um Israel da vida. Só que da fortografia. Sem Portugal, nem Espanha. Somos tantos...

William&Odilene

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O racismo existe no Brasil e está mais do que patente. Agora, engrossado pelo governo com a criação de cotas para negros e pobres nas escolas e universidades. O País melhora, cresce e se humaniza, tanto quanto andar pra trás.

Parabéns pelo post!

Primeiro a humilhação depois a Globo.É sempre assim.

Uma exemplar volta por cima, reforço eu, o título deste post.
Muito agradecido pela visita, assim como pelas amáveis palavras.

E cada vez mais a situação se agrava, mesmo em um País mulato.O estigma é forte demais. Já o post com a história de Israel dá um alento na esperança de conquistas maiores.

Muitas crianças negras interrompem os estudos e os sonhos por falta de apoio.

O preconceito é uma praga presente ainda em nossos dias.

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Bom nos trazer esta história. Este deve ser o foco de nosso olhar social.

Em época de Copa do Mundo, sob a fraude de se vestir com soberba os talentos individuais, a lembrança da humildade e do trabalho eivado da agraciação coletiva, nos impõe uma pausa.

De quem estávamos há pouco torcendo? Da chancela das grandes empresas multinacionais, de uma organização corrupta e retrógrada como a CBF? Estes são os culpados da nossa derrota em campo. Os indivíduos que fazem a diferença se tornaram reféns do que se disse deles. Já não eram mais jogadores, mas malabaristas.

Ora, o que precisamos são de pessoas certas nos locais certos.

Nosso herói do post está nos dizendo que o lugar certo dele é o Velho Mundo, onde artistas e empresários são cidadãos respeitados. Aqui temos de pagar altos impostos e sermos obrigados a tocar Bach para liberarem-nos da delegacia.

O amigo Rodrigo tem razão. Não sabemos se Israel teria as mesmas possiblidades de realização art´stica e profissonal se aqui permanecesse.

Essa história reflete a grande maioria dos artistas populares.

O Estado não reconhece seus artistas.Em países que valorizam pagam salários para que artistas desempenhem suas estudos e produção.

Linda história de vida!

Uma "Volta por cima" com todas as letras.

Antes que as oposições reagissem, reagiu a sociedade. E o governo teve uma idéia sensacional: por que não converter o Estatuto da Igualdade Racial em Estatuto da Igualdade Social? Ou seja: o Brasil será uma Bolsa Família de dimensões continentais.

É sempre bom lembrar as autoridades:

(arts. 1 e 2 da Declaração Universal dos Direitos Humanos)

Artigo 3º."Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: (...)

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação"

Artigo 5º XLII. "a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei

Constituição da República Federativa do Brasil

Muitas vezes a polícia trata as pessoas de bem com a mesma banalidade que os bandidos tratam.

Nossa, fabuloso mesmo. Isso deveria acontecer a todas as pessoas de talento que estão perdidas por esse mundo fora e que não tem oportunidade de aprofundar e se dedicar a esses talentos.
Mais uma vez parabéns pelo Blog. Adoro!
Bjs

Que história! Muitos sofrem preconceito e poucos conseguem superar.

Helena de Tróia

Lembro desse fato. Na época teve muita repercussão na imprensa aqui em Pernambuco com repercussão nacional. O menino passou correndo por uma viatura, estava atrasado para aula de violino numa escola de música da prefeiotura. Os policiais o confundiram com um ladrão. Pasme! Um ladrão de violino.

Os brasileiros têm mais de 300 diferentes categorias para se identificar. E com as cotas nas escolas o governo agora está dizendo a todos os brasileiros que existe uma uma divisão na sociedade: brancos e negros.

depois ainda tem gente questionando e criticando artistas que saem do brasil para tentar algum reconhecimento.

como se não bastasse o preconceito impregnado na cultura nacional, a falta de educação básica e mais uma série de problemas que dispensam comentários, ainda temos que lidar com a falta de políticas públicas que possam amenizar essa situação.

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