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Arte Incomum

Política de Eventos

Ao longo das décadas governantes brasileiros tratam a cultura pelo seu aspecto "espetacular". A cultura é "show". Dirigido a um determinado mercado cultural, focalizado um certo extrato da população. Neste entendimento só teriam acesso à cultura os grupos sociais intelectualmente preparados para consumir aquela obra ou aquele produto ofertado. Na verdade o que interessa aos gestores oficiais é se o "espetáculo" produz visibilidade política. Em todo o País tem se praticado de maneira uniforme os "megaeventos" em nome da cultura. Exemplo disso são os carnavais fora de época - nichos de mercado de gravadoras, companhias de bebidas e marketing político. Um formato multiplicado nas capitais brasileiras. A prática reforça a postura "dirigista", já que desconsidera diferentes modos culturais. À margem de uma política de apoio à produção e ao artista, as populações urbanas e rurais praticam as várias formas de expressão, geralmente ignoradas pela grande mídia e pelo mercado formal. A política de eventos no Brasil é caracterizada pelo efêmero, interesse político e favorecimento econômico. Um grande evento governamental ou não, só se justifica se tiver sentido na vida das pessoas e que o acontecimento venha irrigar o tecido social. Novas tendências na arte, lançamento de produtos, avanços tecnológicos, abertura de mercados, encontros com temas amplos na mobilização da comunidade científica e no intercâmbio das culturas, na certa, são necessários. Esse tipo de ação de grande porte, pela própria natureza, traz no seu interior resultados provocadores ao fortalecimento cultural, a tomada de rumos e novas posturas frente as grandes questões do mundo contemporâneo.

Tróia
Você precisa conhecer a Secretaria de Cultura de Recife. O secretário é pós graduado em megaevento. Quando a cidade não aguenta mais ele promove um em São Paulo. O patrocino vem dos bancos repassados pelo Ministério da Cultura.

Cultura? Quem ganha com megaeventos "fora de hora" são companhias de bebidas, empresas de estruturas metálicas na montagem de palcos, empresas de som, empresas de trios elétricos, facilitadores nas licitações, e o Estado promotor.

Olá HT:

O que me admira é que o Brasil, sendo um país novo, já tem mais de 500 anos.
A cultura "bebe-se" na herança passado...seja ela qual for.
Cá para a Europa é normal cidades que fazem teatro de rua expontâneo numa qualquer praça, ou esquina.
Não só contribui para o bom ambiente citadino, como dá de ganhar a quem o faz (em vez de andar a roubar), e entretêm os turistas que ficam muitas vezes encantados com essas criações...em que não precisam pagar bilhete.

Mas também tudo isto se baseia na iniciativa criadora dos seus elementos...para ganhar a vida.
Depois á o factor cultural.
Para aqui ainda é uma vergonha e uma desonra roubar ou cometer actos ilícitos de qualquer natureza...o mesmo já não direi no Brasil.

Aguardo sua visita e comentário lá no Estados gerais.

Um abraço,

Sou uma vítima de eventos. Que tal se a verba pública gasta com inutilidades massificadoras fosse aplicada em um programa de apoio a pesquisa artística?? Esqueci que não estou em outro País. Estou no bananão.

Os sites dos candidatos já estão na rede.

O que tem a aparência mais high-tech é mesmo o do Babalorixá. Está essencialmente voltado para o “muito” que foi feito até aqui e mostra o quanto “o Brasil mudou”. No link “conheça seu candidato”, um trecho emblemático: “A criança que viu a luz em Caetés, sob o céu azul sem nuvens do sertão de Garanhuns, conseguiu, antes de mais nada, sobreviver.” Até para falar sobre o próprio Cristo, isso seria dito com mais cuidado. O site está neste endereço: www.lulapresidente.org.br.

O do tucano Geraldo Alckmin também lista seus feitos como governador e parece organizado a partir da seguinte premissa: o Brasil pode melhorar. A fisgada fica por conta da enquete: “Você acha que o presidente Lula sabia do mensalão?” A pergunta é boa. As oposições acham o quê? Se achavam que ele sabia, por que não foram em cima dele? O endereço é este: www.geraldo45.org.br.

O site de Madre Tereza está pronto. A campanha de Heloisa Helena (PSOL) está no www.heloisahelena.com.br. De cara, abre-se um pop-up destinado às mulheres. Há quatro meninas e a candidata sorridente, em meio a flores. Na mensagem dirigida às camaradas, uma análise singular sobre a especial aptidão das mulheres para a política: “Você, eu, nós que temos a capacidade de gerar outro ser, temos também o dever de gerar alternativas para que a nossa ação criadora, realmente ajude outras mulheres a conquistarem a liberdade de Ser...” Esse papo de "liberdade de ser" tem tudo a ver com o socialismo... Se a gente tirar a vírgula entre o sujeito e o verbo, não sei se melhora grande coisa.

E há o de Cristovam Buarque (PDT): www.cristovam.com.br, o mais pobrinho deles todos. No link para o Blog do Cristovam, informa-se: “Na banca 40 que é de salada de frutas e sorvetes e que foi fundada em 1927, Cristovam convidou 5 crianças para tomar sorvete com ele: Tôtila, Ketlin, Maurício, Jefferson e outra Ketlin. Cristovam, fã de salada de frutas, aproveita para comer e conversar com as crianças.”

É uma invasão de "Ketlins". Sobreviveremos?

Visite o Blog Reinaldo Azevedo
http://blogdoreinaldoazevedo.blogspot.com/

É o marketing do mundo político! Infelizmente, a imagem vende mais que mil acções! As pessoas "compram" os pacotes mais apelativos, ignorando muitas vezes o conteúdo. E claro, se há comida o povo gosta! (sempre detestei esta afirmação)
Obrigada por compartilhar connosco um post tão pertinente!
Beijinhos

Em cidades do interior do Brasil o marketing dos prefeitos é feito na realização de shows.

Sem falar na poluição sonora. Moro perto de uma praça de eventos. O inferno mora alí.

Cara Helena Nickname Troia,

Preciso linkar o miolo lá no gotas, toda vez você precisa me avisar, bão como sou um cético de carteirinha tudo que vem acompanhado do logo do governo eu procuro matutar quem vai ganhar o quê!!!

Bjs

oi tudo bem? Desculpe mas eu não estou a par do que se passa no Brazil, por ixxo não posso fazer grandes comentários, vim aqui agradecer o seu comentário. Bjx

Os secretários de cultura na maioria das cidades são pessoas despreparadas. O critério é paratesco ou favor político.Junte isso a vontade de prefeitos, governadores.

Convencionou-se a chamar de cultura popular os megaeventos envolvendo, em sua maioria, bandas de axé ou duplas caipiras. Parece que um povo que mal tem pão pra comer não precisa de um circo melhor que este, né?
Belo texto!
Beijocas

Políticos e gestores públicos só lembram dos artistas em eventos de grande alcance. São as massas de manobra.

Funciona tanto os tais eventos que os políticos investiram milhões em campanhas passadas. Ainda bem que proibiram.Um bom final de semana.

Helena
O teatro, a dança,as artes plásticas a literatura, a arte popular e todas as modalidades artísticas que não dão visibilidade global e exige do artista dedicação, pesquisa, investimento, vivem a míngua. E qualquer show bundal que atraia gente na praça está garantido pelas grandes marcas.

Lo que describes es la farandulización de la política. Muchos políticos no tienen reparo en acudir a ese tipo de eventos para sustituir la carencia de argumentos. Ocurre, no solamente allá. Abrazo.

E a caravana passa... Tens razão, faz século e o modelo é o mesmo.

Helena, Helena,

agora percebo que é você. Caramba, você virou mesmo uma blogueira inveterada.
Boa idéia, essa do Miolo. Bonito, bem feito.

Bj

P.S.: gostei daquele olhar morno... (he he he)

Helena, tenho andado pouco na net pq tive uma lesão no ombro (ligamentos) mas já estou a recuperar.
Quanto ao post uinfelizmente a tendência do mundo é essa, cultura de massas é o que importa, o que é bom mesmo, o que tem conteúdo fica sempre esqucido, sempre pra trás. Pra que investir? Terá lucro? então não interessa. O que interessa ao governos é o lucro, a movimentação das massas. Infelizmente é assim. Temos que lutar com todas as forças e cada vez mais unido para que o que é bom não fique à deriva, não fique escondido. Lutar para que o que interessa da cultura tb apareça. Mesmo que seja lutar contra os tubarões dos governantes.
O interressate pra eles é q o povo se distraia mesmo com grandes festas, campeonatos e afins e esqueçam a realidade, os problemas e as injustiças. E uma vez esquecendo, não se lembram de se manifestar e de lutar pelos seus direitos. Uma triste realidade.
Me alonguei demais. bjks*

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