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Arte Incomum

Os nus de Muybridge

Os primeiros nus masculinos na história da fotografia surgiram em 1872, com fins científicos. O britânico Eadweard Muybridge uniu fotografias individuais, captadas separadamente, tornando visíveis as fases da locomoção, utilizando como modelos animais domésticos, além de mulheres e homens nus, inclusive ele mesmo. Seus estudos foram publicados somente em 1887 e conquistaram uma comedida respeitabilidade científica, já que os modelos nus, principalmente os masculinos, representavam um escândalo.

A divulgação do escândalo de Muybridge serviu de estímulo a outros artistas, que não buscaram qualquer justificativa científica para fotografar ou utilizar fotografias de nus masculinos. Thomas Eakins, considerado o maior pintor norte-americano do século XIX, utilizou os trabalhos de Muybridge na composição de suas pinturas, mas foi forçado a renunciar ao cargo de professor da Academia de Belas Artes da Pensilvânia, por trabalhar com modelos masculinos nus em uma turma mista.

A circulação paralela e ilegal do nu artístico masculino perdurou em muitos países até o final da década de 1960. Em 1968, a revista americana Grecian Guild Pictorial venceu uma ação na Suprema Corte dos Estados Unidos, que finalmente reconheceu essa modalidade de fotografia como arte. A profusão de revistas explorando o nu masculino, de apelo artístico, erótico ou mesmo pornográfico, cresceu vertiginosamente desde então.
Crédito imagem: wikipedia.org

Hoje não existem mais os profissionais que atuavam modelos para os pintores e até pouco tempo nas escolas ou cursos de desenho de modelos vivos.

Uma bonita história de conquistas de espaço e em nossos dias o nu masculino tão banalizado!

Desde muito, o corpo, em sua expressão nua, inteira, provoca as mais diversas reações. Parece haver uma concordância quanto ao que é um nu artístico; do erótico ao pornográfico, a linha divisória é tênue. Neles, entretanto, não há arte? O olhar sorverá o visto a partir de suas próprias impressões sobre o que é arte. A arte é subjetiva.
O escândalo gerado por estas fotografias deve ser algo semelhante, guardadas as devidas proporções, ao gerado pelas "banhistas" de Renoir.
Seja qualquer a forma de expressão que dispa o corpo, sempre haverá o viajar de um sentir profano ou sagrado que remete ao mundo interno de quem o vê.
Parabéns, Helena, um texto incomum na blogosfera. Muito bom!

Tróia

Parabéns mais uma vez pela abordagem. Sempre com temas polêmicos.

Cara Helena,

Tai a G Magazine que não nos deixa mentir sozinhos........mal gosto total, pelo menos para mim...

Bjs e bom final de semana

Helena

Ótimo trazer esse tema.Meu próximo post lá no blog é exatamente a nudez no cinema e posso adiantar que o nu artístico ainda é tabu, mais do que os permissivos eróticos explorados pela mídia.

No post chamarei atenção para os filmees:
Inspiração (1915) - a primeira atriz protagonista (Audrey Munson) a aparecer nua.
Êxtase (1933) - Hedy Lamarr se banha nua e corre por uma floresta com os seios expostos. Blowup (1966) - primeiro filme comercial a mostrar a nudez frontal de uma mulher.
Mulheres Apaixonadas (1969) - primeiro filme comercial a mostrar a nudez frontal de homens. Pretty Baby (1978) - primeiro filme a mostrar uma pré adolescente nua, aos 13 anos. (Brooke Shields).
Gigolô Americano (1980) - primeiro filme comercial Hollywoodiano a mostrar a nudez frontal de um ator famoso (Richard Gere).
Instinto Fatal (1992) - famosa cena da cruzada de pernas de uma Sharon Stone sem calcinha.

O primeiro a escandalizar o mundo sabem quem foi?

Um tal de José Deus que plantou um homem e uma mulher nus no... Paraíso!

Arrasou Santa!

Helena

O Miolo está a cada dia mais especial, informativo, didático, crítico e com muito bom gosto. Parabéns queridos!

Tróia,

Os nus na pintura ficaram e ficarão nos traços de Modigliani.

Helena,

cá estou. A visita sabatina já está agendada. Hoje aprendi sobre essa "pouca vergonha" do nu masculino(he he he).Deixando de lado a brincadeira, aparece aqui o lado didático da Helena de Tróia, que, tanto aqui como lá, pega no ponto fraco dos Aquiles: o calcanhar.

Bj

Já vou linkar

Deveras interessante.
Agradeço à Santa a sugestão que me deu.
Abraço de Portugal.

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Ah! Helena,
Vou protestar!!! E puxar a sardinha para o meu assado. Nus na ciência, na pintura. Faltou o teatro, corajosos nus no teatro.Fica devendo essa:)))

Tróia

Falar em nu masculino além do tabu sempre é colocado da forma mais pejorativa. Já o eu texto diz de uma outra ótica. classe é classe!


Apareça lá no blog, está divertido.

O erotismo, necessita acima de tudo do desejo crescente do observador, na Arte necessitamos mais ainda de um observador.

Passei para desejar um bom final de semana a todos do Miolo de Pote.

Helena de Tróia

Sou seu fã.
Estou com uma raridade musical, você pode procurar no orkut, "comuna Udigrudi", em sebos de discos usados, ou com algum parente... Saiba mnais lá no blog. Bem, boa sorte e lembre-se: escute sem preconceitos.

Helena, interessante sua abordagem trazendo para o Miolo o relato de um tempo curto de vida do nu masculino na fotografia. Assunto delicado que ainda suscitaria uma dúvida enorme sobre o escopo: arte ou prática comercial com arte e até sem arte para um determinado e reduzido público alvo? Bom final de semana.

Helena, tema polêmico amiga. Ou porque sou uma perfeita anta?:)) Tem um site interessante pro pessoal da área de arte. Sugiro aqui:
http://arte.coletivos.zip.net/

Recentemente manifestações contrárias à publicação da revista Playboy indonésia,isso que estava previsto uma versão bem mais comportada do que as outras versões que circulam pelo mundo. Para começar, a edição não traria fotografias de mulheres nuas, marca registrada da Playboy. Seriam de mulheres pouco vestidas, em poses sensuais . A questão da nudez passa por critérios de cada cultura, sejam em sociedades mais antigas ou modernas.

Nudez masculina
- Esteticamente, não funciona.
- Acho que foi por isso que Deus criou a Mulher.

Helena de Tróia

A imagem é espetacular!!. Já linkamos o Pote lá em casa. Beijos

William&Odilene

Helena

Eu aprecio a arte em tudo, mas com relação a nudez, tenho um certo cuidado, porque não gostaria de assistir o homem tornando-se objeto sexual. Isso aconteceu com as mulheres, e por mais independentes, globalizadas e tudo mais, nós mulheres ainda temos esse rótulo.Somos objetos sexuais. Muitos turistas estrangeiros confundem a nudez com prostituição,buscando no Brasil o paraíso sexual. Espero que as pessoas do seculo 21 saibam diferenciar o nu artístico da pornografia etc..
Soninha

Helena,
excelente texto! Sou completamente a favor do nu, seja masculino ou feminino. É uma expressão artística que deve ser vista como outra qualquer. E a linha que divide o artístico do pornográfico é tênue sim, mas é uma opção do artista e do modelo. E há quem goste de um, de outro ou dos dois, né?
Gostei muito, viu?
Beijos

O corpo nu só com muita arte, o resto é exploração, banalidade.

Oi, Helena
Adoro fotografia.
Hoje o saudosismo bateu e ficou.
Lembrei-me agora de quando era criança. Não tínhamos máquina fotográfica. Quando alguém chamava para tirar retrato eu dizia:"Espere aí que eu vou botar o biquíni!"
Quanta pose. Sempre fui exibida.Rs.
Postei hoje para homenagear Mário Quintana.
Abraços.

É muito difícil encontrar trabalhos que consigam materializar a fantástica comunhão do Nu com a Arte. Dos clássicos mestres da história, poucos conseguiram superar este desafio. A beleza e sensualidade do nu, por muitas vezes confundida com o vulgar, é a própria essência da arte. O corpo humano é a fonte de quase todas as inspirações. A nudez é sempre inquietante, instigadora e bela. Por isso o artista seja na pintura, escultura, na dança ou fotografia, encontra no corpo nu uma profunda ligação com a pureza do ser.

Oi querida,

"...Dá-me tua nudez,
Tua nudez faminta,
Destrancada de almas e corpos,
Nos sonhos destruídos
De meus e teus desejos".

Paulo Mont'Alverne

muinto obrigado pela visita volte sempre
obrigado !!!!!

Tenho plena certeza que o adjetivo que o homem mais ama por natureza é o que mais reprime por dogma: NU.

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