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Ficção e Desatino

A presunção de quem se julga fã de cinema

Que gostar de gostar de cinema é moda, isso não é segredo. Mesmo sendo uma arte nova, em comparação a outras existentes, sendo considerada menos válida pelos mais severos, considerar-se fã de cinema (e, como conseqüência do processo, hoje, divulgar) parece ter tomado conta das cabecinhas juvenis. Lembro-me quando, no colégio, fulano ou sicrano soltava: “menina, não deve haver mais nada na locadora que tu já não tenha visto”. Mesmo reconhecendo a estupidez da frase (considerada por mim ainda medíocre, mas sempre estupidez), me orgulhava, pois era uma das poucas ratas da mítica “seção de arte” das locadoras. Lá, encontrava as fitas de alguns filmes europeus já esquecidos (inocente, não imaginava que nunca devessem ser lembrados, de fato) e ia feliz para casa, contemplar aquelas obras, me sentindo, assim, uma completa cinéfila. E eis que, já velha, quase que convencida como a espectadora ideal, me surge Louise Brooks em “O Diário de uma Garota Perdida”, de George Wilhelm Pabst. Sempre vira fotos da atriz, com o seu cabelinho chanel indefectível, mas jamais a houvera visto atuando. Foi quando a mocinha de olhos tristes me despertou à minha mais ínfima realidade: eu tinha diante de mim um filme audacioso e moderno, beirando a extravagância. E este, meus caros, é um filme de 1929. Passei a imaginar o número de obras feitas e não-vistas por mim. Claro, a queda foi grande, porém, levantei-me em seguida e hoje integro grupos de estudos em história do cinema, sempre tentando cultivar humildade e curar o meu orgulho fílmico ferido.


Imagem: Diary Of Lost Girl - www.kleinedingen.nl

Que bonito texto minha querida! Muitas obras de arte foram produzidas em outras épocas, sem dispor de tantos acessórios tecnológico que os modernos lançam mão.

No Brasil muitos filmes antigos importantes se perdem por falta de restauração e conservação e com eles a memória cinematrográfica.

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Há muitos filmes que passaram ao lado das grandes audiências, mas que são bem melhores do que se poderia pensar.
Na minha modestíssima opinião, os anos de ouro do cinema português, que nunca teve impacto internacional, terão sido os anos 40 e 50 do século passado. Ainda hoje dá gosto ver esses filmes.
Tenho ideia de ter visto 2 ou 3 filmes com a Louise Brooks, mas não me resta nada de especial na memória.
Gostei da sua abordagem ao tema.

Curto muito cinema...

Porém encontro um desconforto ao lêr sobre o assunto e sentir falta de citações referente a histório do cinema nacional como; Oscarito, Zé do Caixão, Grande Otelo e outros tantos...

O cinema é uma das poucas artes em que o Brasil pode ser comparado a nível histórico, justamente por ser uma arte nova entre as demais.

Espero poder discutir e aprender ainda mais com você Bia... Demais!!! Parabéns

Curto muito cinema...

Porém encontro um desconforto ao lêr sobre o assunto e sentir falta de citações referente a histório do cinema nacional como; Oscarito, Zé do Caixão, Grande Otelo e outros tantos...

O cinema é uma das poucas artes em que o Brasil pode ser comparado a nível histórico, justamente por ser uma arte nova entre as demais.

Espero poder discutir e aprender ainda mais com você Bia... Demais!!! Parabéns

Oi,
só não concordo que o cinema seja uma Arte Nova, embora entenda que comparado com outras artes picturais possa passar esta idéia. Hoje em dia, o Multimídia é uma arte nova, até o Graphic Novels é uma arte nova, mas não considero que em 2006 o cinema seja ainda. O problema é que com o cinema comercial e o enorme lucro deste mercado, o cinema tem realmente uma evolução difícil se não se trata de técnica, que hoje em dia se resumem por "efeitos especiais" . Ai que saudade destes filmes antigos, sobretudo em preto e branco.

Então no Brasil a gente já podia, há anos atrás, alugar facilmente filmes de arte como este com Louise Brooks?
Eu acho isso muito classe, porque aqui em Montreal, em 2006, a gente só encontra em algumas locadoras (p/ vender tem aos montes...).

Vc conhece Dreyer?
Eu tive a felicidade de ter um professor, no curso de comunicações, que analisava filmes em classe. Ele me introduziu à obra de Carl Theodor Dreyer(considero que Joana d'Arc -1928-, de Dreyer, é um dos mais lindos filmes já realisados - e tem Antonin Artaud (personagem Jean Massieu)como ator...!).

Beatriz, esse é o tema que gosto muito!!. Quando der passe lá no blog, fiz um post sobre "Limite", filme mudo de Mario Peixoto. Um beijo.

Beatriz, esse é o tema que gosto muito!!. Quando der passe lá no blog, fiz um post sobre "Limite", filme mudo de Mario Peixoto. Um beijo.

Parabéns pelo seu texto.

William&Odilene

O resgate de filmes raros avançou muito com a web. São filmes que caíram em domínio público ou tiveram o direito autoral expirado, hoje disponíveis gratuitamente,para download e qualquer pessoa pode se tornar um colecionador.

Se quiserem ver novos títulos em alguns filmes antigos mas só pelos amantes da Informática;)).

http://www.catho.com.br/jcs/inputer_view.phtml?id=3394

Em triscas eras fui muito a cinema hoje nem lembro a última vez que sai de casa motivado por um filme especial.

q o cinema acabou, isto tbm não é segredo pra ninguém; agora, louise brooks é imortal: a caixa de pandora, tbm do pabst, e a girl in every port, este não é do pabst, sobrevivem lascivamente na minha imaginação

Quem não guardou na memória um filme que marcou, atire a primeira pedra!!

Passei minha infância no interior e o único divertimento era o cinema da cidade. Mais tarde mudei pra Porto Alegre e no bairro um cinema era ponto de encontro. Hoje sair de casa é um risco e cinema é caro. Os cinemas foram desativados e vendidos pra igrejas ou pra redes de supermercados. Para os estudiosos de cinema não sei se isso tem alguma importância. Se puder dê opinião sobre isso na tua coluna.

Bia, "gostar de gostar de cinema é moda" há muuuuuuuuito tempo. Acho que você ultradimensiona a coisa, pois fãs de filmes de arte sempre existiram na academia (que antes você não frequentava). Hoje, a coisa lhe parece muito maior, uma vez que você entrou no maior núcleo de concentração de pessoas que buscam essa espécie de cinema alternativo. Não que eu não adimita que a coisa parace ter crescido, pois o próprio mercado parece estar mais cheio de mecanismos que abarquem esses grupos de amantes do cinema, mas não vejo problema no crescimento dos adoradores da sétima arte e acho que isso não diminui o prestígio que os estudiosos da área possuem. Uma coisa é ser fã de cinema (que qualquer usuário pode vir a ser) e outra bem diferente é se debruçar sobre o cinema com o olhar de estudioso. Um fã de cinema não é obrigado a fazer cursos ou de conhecer a cinematografia clássica. O cara apenas curte muito cinema, ele é o espectador da coisa, é pra ele que alguns diretores trabalham, são eles que se emocionam, refletem ou se divertem com as produções. São eles que se dirigem à sessão de arte das locadoras, e que vão às sessões de cinema europeu, lá no Casa Amarela, por exemplo. Eles não tem obrigação de compor grupos de estudo ou coisa assim. Portanto, não os acho presunçosos (com exceção de alguns, que assistiram alguns poucos filmes e se consideram estudiosos). Tem que haver a diferença entre mero usuário, fã de cinema e estudioso de cinema. Eu, por exemplo, me considero uma mera usuária, pelo meu baixo nível de envolvimento. Admiro muito os seus estudos nessa área e posso dizer, com toda a convicção, que não há crítico de cinema que eu conheça que chegue a lhe superar. E a existência dos fãs de cinema não chega a macular o trabalho e a pesquisa de pessoas como você e seus companheiros de Casa Amarela, por exemplo. Beijo.

Que bonita crítica menina!!!

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