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Ficção e Desatino


Breve comentário sobre o papel
de Chico Buarque no cinema

Alguns devem ter soltado um ruidoso “ahn?”. Outros, mais atenciosos, devem já saber do que se trata. Pois é, um dos maiores artistas da música brasileira também teve considerável participação no cinema. Para quem não sabe, esse senhor que possui um currículo musical de mais de quarenta anos, teve a sua estréia como compositor em 1967, no filme “Anjo Assassino”, de Dionisio Azevedo. Em “Garota de Ipanema”, filme baseado na música de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, Chico teve participação na trilha sonora, além de atuar ao lado de personalidades como Rubem Braga, Fernando Sabino, Otto Lara Rezende, entre muitos outros, inclusive o próprio Vinicius de Moraes. Em 1972, no filme “Quando o Carnaval Chegar”, de Cacá Diegues, teve a oportunidade de tomar conta de praticamente toda a trilha sonora e de atuar ao lado de amigos como Nara Leão, Maria Bethânia e Hugo Carvana, interpretando um artista mambembe. Para “Joana Francesa”, também de Cacá, compõe a música de mesmo nome, inspirado na atriz Jeanne Moreau, protagonista do longa e de quem Chico sempre foi fã. Para “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, de Bruno Barreto, o músico compôs uma de suas canções mais cultuadas, até hoje: “O Que Será (À Flor da Terra)”. Para inspirar-se, utilizou o romance de Jorge Amado, no qual o filme é baseado. Tudo indica que funcionou direitinho, mas, ao ser perguntado sobre do que se trata a letra da música, Chico respondeu: “é uma música de perguntas, e não de respostas”. Marcando para sempre a vida das crianças brasileiras, Chico compôs a trilha sonora de “Os Saltimbancos Trapalhões”, em 1981. Claramente baseado em “O Circo”, de Charles Chaplin, o filme mostra um grupo de comediantes como artistas de um circo. Talvez o filme não seja o melhor, mas difícil é tirar da cabeça letra e melodia de “Piruetas”. Foi em 1986 que “A Ópera do Malandro”, peça escrita por Chico, foi adaptada para o cinema pelas mãos de Ruy Guerra, cineasta português. Pela primeira vez, Chico participa de forma quase que integral em um longa-metragem, sendo responsável por toda a trilha sonora, atuando e escrevendo parte do roteiro. Mais recentemente o trabalho de Chico pode ser conferido no filme “A Máquina”, de 2005, ainda em cartaz em vários cinemas do país. O romance de Adriana Falcão virou peça e não tardou para virar filme. A trilha sonora, primorosa, ficou por conta de Robertinho do Recife, DJ Dolores e, claro, Chico Buarque. Dele, podemos ouvir as músicas “Porque era ela, porque era eu”, em versões instrumentais e com letra; além de “Acalanto”, cantada pela mãe de Karina (personagem de Mariana Ximenes) para que a moça adormeça tranqüilamente em seu colo.

Além dessa extensa atividade no cinema, Chico teve livros adaptados e muitas outras trilhas compostas (cerca de cinqüenta). Esse foi um breve comentário sobre um assunto que gera pano pra manga, tema pra tese, assunto pra livro... ou, quem sabe, um futuro especial no CCR dedicado exclusivamente à imensa participação do compositor no mundo do cinema.

Imagem: Chico Buarque e Nara Leão: Quando o carnaval chegar (1972)
www.adorocinemabrasileiro.com.br

Oi Beatriz
Sempre fui fascinada pelo trabalho de Chico Buarque, na música, na literatura, no teatro. Calabar é a sua obra prima!. Hoje, a impressão que dá é que Chico, assim como Caetano não compreendem o processo que os tornou importantes. Tratam suas biografias no mais cínico blasé.

a obra poetica nao bastasse, chico nos brinda com otimas perfomances em varias areas, a exemplo de seu papel no cinema. boa lembrança, beatriz.

Nara Leão. Que saudades!!!

Breve e bonito comentário.

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