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Hein?!

Lá no Brasilzinho...


É preciso investir na rica cultura que temos
para enxergar o futuro sem expulsar os sonhos



Uma nação absorvida pelos sutis setores produtivos ou pelo setor público fica reprimida pela indignação da economia local. Por outro lado, como os anseios de emprego e renda são cada vez mais demarcados pelo achatamento da economia, os que carecem de oportunidades, devido a fatores culturais, também acabam prejudicados por verem interrompida a continuidade do seu desenvolvimento cultural – é como excluir as gerações descendentes gerando uma quebradura da herança histórica.
O nível sociocultural da população vem enfraquecendo gradativamente, e esta em conseqüência torna-se cada vez mais isolada da informação. É o caso do interior do país, em que os estabelecimentos são geridos por mão-de-obra primeiramente familiar. Os filhos dos comerciantes e produtores locais em pequenos municípios são obrigados a deixar a família à procura de oportunidades em outros centros urbanos, originando o esvaziamento da população economicamente ativa da localidade. È o dilema: os que conseguem qualificação nas grandes cidades não encontram oportunidades de aplicar seus conhecimentos na cidade natal e se não podem retornar às origens após adquirir conhecimento e qualificação, superlotam os grandes centros supurando vastas áreas de emprego.
O que fazer? Nossos maiores problemas levam ao esvaziamento das comunidades, ao achatamento econômico e à exclusão social, e isso afeta diretamente o patrimônio cultural de inúmeras cidades e centros históricos em todo o país. Ainda bem que lá no Brasilzinho comunidades carentes e ofuscadas pela rejeição da globalização encontram apoio em esferas culturais como as ONGs e os intelectuais, que agem na preservação dos patrimônios históricos dessas pequenas cidades. Juntos tentam reconstruir e valorizar a história, que é o que elas têm de melhor para gerar seu futuro e desenvolvimento.
O grande patrimônio cultural legado pelas gerações vividas é o elemento construtivo da identidade do Brasil. Os espaços históricos devem ser recuperados e preservados, situando-os como monumentos absorvidos harmonicamente pela paisagem urbana ou rural. As manifestações culturais, o folclore, a música, a culinária, o artesanato podem agregar diferenciais em cada região. Ora, os aspectos particulares de cada lugarejo têm um peso na composição de seus valores, e, portanto pode e deve ser amparado por incentivo governamental, por parte do poder público e pela participação ativa da sociedade.
Com a cobrança da economia local nos municípios, estes passarão a readquirir a capacidade de investimentos, que deverá ter na produção cultural o reconhecimento de seus valores e de suas tradições culturais investidos. A criação de emprego e renda vinda da reestruturação sócio-cultural colabora para o processo de inclusão e faz parte da cadeia produtiva e importa para o desenvolvimento de cada cidadão. É preciso investir na rica cultura que temos para enxergar o futuro sem expulsar os sonhos, e principalmente é preciso investir em quem faz o desenvolvimento acontecer: o povo.

Weberth, bom dia!

Interessante o aspecto que o texto aborda. Trabalhei em localidades pequenas, de interior, zonas rurais,e percebi que a degradação começa na má administração municipal (que não investe no potencial local) e termina, exatamente, na migração de seus produtores de cultura para os grandes centros. Um abraço.

O mesmo ocorre com artistas brasileiros que saem do País para buscar o reconhecimento fora.

Vc faz uma pergunta interessante: o que fazer? Teoricamente sabemos de várias respostas. Dificil é ver qualquer uma delas colocadas em prática!
Ótimo texto, Weberth. Bem escrito, claro, objetivo e com uma abordagem interessante. Sem falar, é claro, na importância do tema.
Legal, companheiro.
Beijos e ótimo domingo.

O descrédito dado a cultura afeta todas as áreas, independente de localidade. A cultura do País foi reduzida a grandes eventos, agregados as marcas de bancos e empresas de cerveja.

Exatamente isso e vai de encontro ao trabalho que desenvolvemos com um centro cultural no interior do Estadoi de Pernambuco valorizando a cultura local.
Ele está hospedado neste endereço:
www.observatoriodasartes.com.br

Weberth, pena que o Brasil seja tão desigual. Aqui no RS muitas cidades buscam valorizar a cultura local por tradição e com objetivos turísticos. Isso tem um resultado importante tanto no aspecto cultural e econômico das cidades.

Só uma observação para o administrador do POTE. Percebi que o meu comentário não consta em "ultimos comentários".OK.

Nossos espaços históricos estão em precária situação, praças e monumentos sem manutençaõ, casarios desabando, museus e bibliotecas em situação de calamidade. A sociedade organizada, as ONGs acabam fazendo pontualmente o que o Estado deveria fazer. A sociedade cabe cobrar e preservar.

Um abraço.

Existem cidades rurais no Brasil, antes prósperas, que viraram lugarejos, depois reduzidas a uma rua, e desapareceram do mapa.

Nosso Brasil precisa sempre de heroísmos, Wberth. Sem os camaradas que o fazem, nao teriamos nação, nem povo, que dirá cultura... Abraços.

Ei, amigo!
Obrigado pela visita no Kafé Roceiro. Nóis aqui come capim por que gosta, mas de burro não temos nada. Assim como a moçada daqui do Miolo de Pote. Blog ótimo. Valeu!
Se quiserem trocar links, vamo lá!
Abraço,
Kafé.

Muito bom.

Seu texto me remete ao poeta:"Dorme o futuro das coisas que doerão em mim, desprevenido." Drummond

Seu texto deixa bem claro a falta de cultura, e infelizmente o brasileiro não está interessado em mudar muito as coisas não. Mas eu acredito que o caminho está, nas comunidades de bairros, ONGs e trabalhos volutários, pelo menos estão fazendo alguma coisa. O Futuro é logo ali.. espero rsrsr

Não apostaria tanto nas ONGs , a maioria estão sob suspeita da má utilização do dinheiro que recebem.

Maria,

Ótima Observação:
Lembrei-me de um trabalho voluntário que fui fazer em uma ONG e com tanto engajamento acabei vendo e descobrindo o verdadeiro processo da mesma; lavagem de dinheiro e péssima administração dos recursos "doados". Uma desilusão muito triste. Concordo... Razão para você.

Abraço!
Weberth Mota

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