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Hein!?

Uma pitada dos 50

Na década de 50 o Brasil já não era um país tão bobinho assim, estávamos cheios de expectativas, e já no começo de tudo, deixávamos escapar a taça de Campeões Mundiais em pleno Maracanã. A tristeza nos amargou até a Copa de 58 quando o Rei mostrou aos suecos a que fomos. E de lá pra cá as coisas não pararam de mudar, em todos os aspectos; passamos por altos e baixos, e nunca deixamos de ser o povo que somos. Mas um outro rumo parecia começar a partir daí.
O Brasil dos anos 50 resumia-se a uma única pétala, o Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo as culturas do mundo sofriam uma grande influência americana, o espelho do futuro. No Brasil não foi diferente, desde a música à moda, as raízes eram americanas. O Brasil era o país do futuro que dissolvia a cultura de massa, uma expressão que significava a variação de valores artísticos e dos costumes que se tornaram conhecidos por grande parte de uma população.
Nossos jovens experimentavam o rock, a nação se alucinava com a TV e assistíamos aos delírios de Oscar Niemeyer com sua arquitetura arrojada. Tinha o Getúlio com sua política nacionalista, sem contar os “50 anos em 5” do Juscelino Kubitschek. Enquanto isso Marta Rocha era injustiçada por causa de duas polegadas. Perdíamos Carmem Miranda, mas nascia a Bossa Nova. Fabricavam o primeiro fusquinha. O Brasil começava nas areias do Leme e acabava nas calçadas do Posto 6, éramos as praias de Copacabana, tudo acontecia ali. A moda desfilava o comportamento da mulher brasileira e a alta-costura era seguida pela revista da época: Vogue.
O homem brasileiro era playboy, usava calça rancheira, mocassim branco, camisa ban-lon e cabelos cortados à “Príncipe Danilo”. Ser conquistador era pegar as “boazudas”, farrear, dar umas voltas. Para casar, só com mocinha ingênua, mas não se abria mão do machismo. O mesmo machismo que se misturava com a rebeldia a mascar chicletes e desfilar cadilaques rabo-de-peixe. Nos bancos de praças as garotas liam as edições femininas de A Cigarra, O Cruzeiro e Manchete.
O desenhista Alceu Penna marca a década com seu traço perfeito. Suas garotas eram uma visão pessoal da sonhada namorada do Brasil: charmosa, moderna, elegante e com um comportamento que não competiria com a macheza da época. Elas transmitiam apenas a moda, a inspiração da mulher ideal. A partir daí a mulher mostrou-se vulnerável à evolução de sua fleuma, uma ameaça que mais cedo ou mais tarde viria acontecer. Pegaram gosto pela estética, e o glamour era desfilar seus trajes de banho nas calçadas do Rio, ainda cobertas as curvas. Os decotes ainda cobriam os ombros, mais tarde deixavam-se ver suas costas e sacudiam a sociedade com o biquíni de duas peças.
Aceitar carona de cadilaques ou lambretas era o novo desafio das moças que já usavam calças compridas e passavam o dia a bambolear para afinar a cintura (o que também era moda na época). Na mulher usava-se lenço no pescoço e muita roupa colorida, neles, óculos ray-ban, jaquetas de couro e topete. O ápice da juventude de 50 era umas simples voltas pelas ruas das cidades para um festival de olhares para os quais se voltavam uns aos outros. Uma época cujo único brilho era ser jovem, ser novo, ter liberdade. As amarguras da sociedade fechada e careta pareciam fundamental para que tal essência de um jeito de ser de uma geração tivesse sentido. Acho que ainda nos falta uma pitada dos passados 50 para um saboroso prato de futuro.

Imagem: Alceu Penna

Nos anos 50 também foi o auge da música sertaneja com a leva de caipiras e nordestinas indo para São paulo e Rio de janeiro disputar os palcos das rádios.Gosto de música, se gostar passa lá no blog.

Adorei o texto! Gosto das comparações de comportamentos social e políticos de diferentes décadas.

Uma época que trazia o novo.

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Um bom texto para ler e lembrar. O início dos anos 50 foi acompanhado também de movimentos e eventos no campo das artes, como: Bienal de São Paulo, Concretismo, Cinema Novo, Bossa Nova.Parabéns!

A década não foi só clamour. A década de 50 traz ênfase a guerrilha, conquistando jovens encantados com o ditador Fidel Castro e a simpatia da população para formar seu próprio exército por grupos terroristas, intimidando pessoas inocentes para alcançar seus objetivos.Ainda bem que outras décadas comprovaram o falso ídolo.

Ah, menino! Gosto muito dos seus textos publicados aqui. Um grande abraço.

Acho os anos 50 de estética charmosa. Gosto muito do design dos móveis.

Sim, os 50 nao perde pra nenhuma das decadas posteriores do seculo XX. Nao o vivi, mas é como se. Sempre que vemos, ouvimos ou lemso manifestaçoes dessa epoca da uma certa nostalgia. De que? de querer ter sido anos 50. Muito tarde nascemos. Teu texto é mais um a nostalgiar o peito velho. Muito legal. PArabens, Weberth, um salto triplo.

Inveja da auto-estima elevada dos brasileiros dos anos 50.

Eita,companheiro! Que delícia de texto! Agradável demais de se ler, tanto pela forma qto pelo tema.
Este é realmente um tempo que tem gosto de saudade - até para quem não o viveu!
Parabéns, menino!
Beijos muitos

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