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O Martelo e a Bigorna


Saindo das sombras

Desde criança, dores nas pernas e muito cansaço não me falharam um só dia. Entre os mais diversos diagnósticos estava o de que o remédio era distanciar-me de rede, cama, cadeira ou sofá, o negócio era abominar a bela e irresistível filosofia de “deixar as pernas para o ar”. Andar, correr, jogar futebol, praticar, sem preguiça, atividades físicas, eis o elixir.
Nesse período conheci a mais absurda forma como alguém poderia classificar a filosofia: a ciência do ócio. Ironiocamente, no entanto, foi com esse tipo de ócio que contraí núpcias.
A leitura de Platão sobre o mito da caverna foi, sem dúvida, a melhor brecha que diante de mim se abriu. A idéia de que vivemos circunscritos por dois mundos, um real e outro irreal. Um mundo de sombra, alienação e ilusão; outro formado pela verdade, a crítica, o conhecimento.
É como se nós, afirma Platão, vivêssemos numa caverna escura, de costas para a realidade e submetidos a interpretações equivocadas sobre essa realidade, estando a verdade fora da caverna, no mundo das idéias, na luz, na filosofia.
A filosofia, portanto, tem a função de provocar nos sujeitos uma inquietação acima da média, de trabalhar o senso crítico e patrocinar uma compreesão que transponha os limites do aparente.
No Brasil, na década de sessenta, a filosofia e a sociologia foram banidas do curriculo escolar pelos novos “donos do poder”, a saber, os generais da ditadura. A intenção era castrar qualquer possibilidade de contestação ao novo regime, ou como diria o vocabulário político da época, qualquer tipo de comportamento subversivo.
Como permitir, por exemplo, que filósofos e sociólogos dos anos 60 e 70 difundissem idéias revolucionárias, de influência marxista, em nosso já precário sistema de ensino? A antipática medida de abolir o ensino destas disciplinas buscava vendar os olhos dos estudantes para a então atmosfera sombria que inebriava o país. De lá para cá já se passaram quatro décadas, um jejum que deixou o país órfão de uma iniciação crítica para a compreensão de si mesmo.
Finalmente as autoridades deste país deram na última sexta-feira um sinal de lucidez, ao aprovar a reinserção no curriculo escolar das disciplinas de sociologia e filosofia. Um passo importante a caminho da luz, a materialização de um sonho de muitos que acreditam que um futuro melhor não exclui uma educação de boa qualidade.

doga, bom demais o texto, além de bem escrito. a forma como vc alinhavou a inserção das disciplinas de filosofia e sociologia no currículo escolar foi perfeita. e falou bem. é um passo importante a caminho da luz. abraços

Também soltei foguetes com a volta da filosofia e da sociologia pro currículo. O ensino no Brasil vinha formando gente muito,mas muito quadrada. Espero que não tenha sido tarde demais!

Brilhante obervação, professor. Aprendi na sua 1º aula com a nossa turma que, pelo menos, o homem deve ser um filósofo em potencial, quando se posiciona de maneira crítica com o que lhe é "empurrado" de goela abaixo. Valeu e até a próxima aula.

Representa grande avanço par a educação e para o povo de uma forma geral. as duas disciplinas juntas podem levar à refexao de assuntos que pouco aparecem em nosso cotidano escolar. para os jovens e professores,um pouco de liberdade de pensamento, ainda q tardia.

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Quanto mais pedagogos pensam a educação; novos parâmetros, reformas, etc., mais o ensino piora. A retirada da disciplina de filosofia dos currículos, é prova incontestável. A volta da Filosofia, sem dúvida, um avanço (tardio, como disse Adalberto...). E que não a transforme em cartilha.

Perdão!!!
Vc acredita, mesmo, que haverá isenção nestas matérias, em se mantendo o governo da quadrilha?
Tenho medo, muito medo.
Abs

Ótimo texto... Parabéns!
É um passo à frente na educação, mas iniciativas como essa já teriam que ter acontecido a muito tempo no Brasil, nossos estundantes, o nosso futuro brasileiro não se preocupa em ver o que acontece ao seu redor e forma uma opinião... O povu brasileiro tem memória curta. Espero q a filosofia mude isso.

Sou do tempo em que filosofia se ensinava nas escolas. Grandes professores!

Imagine filosofia dada nas escolinhas do MST

A ausência da filosofia nas escolas causou prejuizos inreparáveis na educação das novas gerações.

Rivamar
Não quero dar uma de estraga prazer. Do jeito que vai educação no Brasil, as disciplinas de Sociologia e Filosofia serão as próximas vítimas.

parabéns pelo texto prof,apesar das crizes o texto tá fantastico.
Bjão

Apesar do péssimismo imputado por alguns comentários acima, creio que a sociologia e a filosofia no ensino médio vão ser de grande valia sim!!!
Elas podem e devem ajudar os estudantes a criarem um senso crítico sobre eles e a realidade que os cerca!
Claro que não podemos descartar a possibilidade de elas cairem no mecanicismo do ensino atual, mas cabe a nós, profissionais dessas áreas lutar contra isso!!!
A vitória está aí, saíbamos aproveita-la!!!!!

Excelente o seu texto! Vem de encontro o que acredito há anos.
Em 96 implantamos em nossa escola as disciplinas de filosofia e sociologia no ensino médio. Foi impressionante o resultado para a aprendizagem e formação dos alunos. E este resultado foi quantificado pelo índice de aprovação em vestibulares de universidades públicas, o que prova que estas disciplinas são instrumentos essenciais ao crescimento humano.
Um beijo.

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