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O Martelo e a Bigorna

A novela e os brasileiros

Mal deixamos a Belíssima, e já nos vemos diante das Páginas da vida, com todo o realismo, com a sempre tendência dos autores de buscar a reprodução da gramática social que permeia a vida real. O título parece dizer ao que veio: o novo folhetim é mais um que procura dar à realidade diária dos brasileiros, ao modo da ficção, um papel temporário (senão decisivo) no estabelecimento de novas práticas e comportamentos sociais.
Mas, afinal, o que é uma novela?
A novela pode ser definida como um retrato social de uma época, um recurso que permite compreender o social numa dimensão espaço-temporal específica. Grosso modo, Janete Clair definiu a novela como sendo um novelo que aos poucos vai sendo desenrolado. Daí sua capacidade de prender a atenção do espectador, daí sua popularidade entre nós.
Na novela, há a construção social da realidade, cujo propósito é criar no indivíduo uma identificação com o real. Por isso temas e assuntos polêmicos do nosso cotidiano passam a ser os mais explorados pelos novelistas; as histórias muito raramente se apresentem numa perspectiva alheia à vida real.
Ora, a novela enquanto uma forma de arte, procura na realidade um reflexo; de forma geral, mimetiza o real. E não seria exagero afirmar que nas telenovelas há a busca harmoniosa entre a ficção e a realidade. Muitas vezes, sem se dividirem, sem que se separem, real e fictício acabam se dissolvendo e enveredando na busca da unidade entre essas duas instâncias: uma correlação que resulta um prato diário para o consumidor.
Sem nenhum trocadilho, na realidade a telenovela é a configuração satirizada do nosso universo social, uma modalidade de lazer com a qual os indivíduos se reconhecem, se identificam e se envolvem emocionalmente.
E muitas são as tramas que se enovelam nas novelas: amores incompreendidos, mistérios, segredos, desilusões, alegrias, aventuras, sagas, violência urbana, violência doméstica, homossexualismo, e tantos outros: assuntos que dão substância a nossa gramática social.
Bem, ao que em parece, o novo título da novela do Manuel Carlos não poderia ser mais apropriado. Agora ele adivinhou de vez: no fundo, uma novela é tudo isso, e mais ainda: novelas cena a cena, capítulo a capítulo, começam e terminam sendo páginas da história pessoal de cada indivíduo e da vida social de todos nós.
Mas a Janete Clair também estava certa. Afinal, os brasileiros viramos as páginas da telinha como se a um novelo, que a cada noite se desenrola, quando não...

Imagem: http://www.bocc.ubi.pt/

Seu texto está fantástico,realmente acabamos sendo protagonistas dos capitulos da vida;quantos desejos aparecem,quantas aventuras nós vivemos e quantos desafios.porém que tenhamos sempre um ¨final¨feliz!BJOS

O que irrita em novelas é a carga alienante. A Globo consegue que milhões de telespectadores parem na frente da telinha, não pegam um livro, não conversem entre si na mesma casa...

Parabéns pela sua abordagem ao tema. Ela representa uma visão bem realista do fenómeno.

Como sabe, em Portugal a TV passa diariamente talvez uma dúzia de novelas (telenovelas em português...).
O hábito começou em 1974, com a Gabriela Cravo e Canela, altura em que a ditadura acabou (revolução do 25 de Abril).
Em cerca de 30 anos terei assistido com alguma regularidade a cerca de 6. E deixei de ver quando não tenho um motivo específico para tal. A última que vi, cujo nome não me recordo, tinha a ver com droga - sei que essa novela ganhou um prémio - era muito didáctica e aprendia-se imenso a lidar com a situação.
Os autores e realizadores prolongam excessivamente as cenas, assistindo-se a um desenrolar dos acontecimentos tão lento que chega a ser superior ao tempo que durariam os factos na realidade.
Outros aspectos, que são importantes, mas que só os vou referir: fraca qualidade de muitos argumentos, boa qualidade dos actores, excelente técnica de filmagem, montagem, realização e música.

O balanço geral é positivo. Mas, na maioria dos casos, é uma perda de tempo passar umas 200 horas em frente à TV para acompanhar uma história que podia ser contada em 2 horas...

É só a minha opinião e eu não sou especialista...

Um abraço.

Beijinhos e bom fim-de-semana!

Assisto alguns Casos Especiais produzidos pela Globo. Novelas nenhuma de nenhum canal.
Um abraço.

Novela é mais uma das coisas que não entendo:) Um bom final de semana.

As novelas perderam muito do folhetim. Hoje, tomada por merchandagem e poucos bons atores.

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