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O Martelo e a Bigorna


E se os livros sumirem?

Este mês a revista Entrelivros publica um artigo sobre a atividade de empresas ligadas ao ramo da informação virtual que estão possibilitando a transferência das informações impressas nos livros tradicionais, no velho estilo papel, para o meio eletrônico. É um projeto ambicioso que já reúne várias companhias na busca do que os pesquisadores e investidores chamam de biblioteca universal. Com o desenrolar do trabalho dos pesquisadores, em tempo menor que um simples virar de página teremos um banco de dados que poderá ser acessado de qualquer lugar do mundo ao alcance de um clique de mouse, como acontece hoje através dos vários mecanismos de busca e pesquisa existentes na Internet.
Empresas como o Google, Amazon, Yahoo e MSN são as maiores investidoras. A americana Amazon, por exemplo, vem desde há muito digitalizando o acervo de pelo menos centenas de milhares de obras contemporâneas. E num ritmo muito rápido se comparado à velocidade com que a informação mundial foi construída e registrada ao longo dos séculos, segundo os dados apresentados por Kevin Kelly, que assina o artigo publicado na Entrelivros: “Dos tabletes sumérios até hoje, os humanos "publicaram" pelo menos 32 milhões de livros, 750 milhões de artigos e ensaios, 25 milhões de canções, 500 milhões de imagens, 500 mil filmes, 3 milhões de vídeos e programas de TV e 100 bilhões de páginas da Internet”. A tecnologia proporciona a transmissão de pelo menos mil páginas por hora, através do trabalho de um robô que folheia as páginas das raridades enquanto o scanner das câmeras digitais vai copiando a informação.
Também paises europeus juntam-se à idéia, como forma de reagir ao projeto americano representado por empresas como Goolge de dominar a iniciativa que, como não podia deixar de ser, devolve aos investidores cifras bilionárias. Em maio de 2005, a França, Alemanha, Itália, Espanha, Hungria e Polônia assinaram um acordo comum em que criavam o que seria a sua Biblioteca Digital Européia, prometendo escanear cerca de 6 milhões de obras em cinco ano. Mas os números não acabam por aí. É cada vez maior a quantidade de escaneamentos de obras e o interesse de paises e empresas no negócio. Lucrativo, como dissemos, pois envolve critérios de ordem jurídica, como a manipulação de direitos autorais de obras que ainda não caíram no domínio público, alem de infinitas vantagens comerciais.
O interessante do projeto da biblioteca universal é o fato de, após a digitalização do acervo mundial o mais simples cidadão poder obter, como num toque de mágica, páginas e páginas de informação virtual que ficarão armazenadas dentro da rede mundial de computadores, obras inteiras de todas áreas do conhecimento humano. Com certeza será um grande avanço no processo de democratização e acesso à informação e à leitura em todo o planeta. Preocupa, contudo, o prazo de vida do velho e poético livro impresso. Com a biblioteca universal digitalizada o livro poderá sair de cena? E se os livros sumirem de nossos olhos e mãos (mãos principalmente)?
Se contarmos o aumento cada vez maior da formas virtuais de leitura (a exemplo do e-book), como muitos observam, as formas originais correrão grandes riscos. Pensa-se assim, mas sabemos que falta a um enorme número de pessoas no mundo o mínimo de condições de acesso à informação digital caso, futuramente, os livros impressos tornem-se tão virtuais quantos os leitores reais que conhecemos.
Felizmente na atualidade o livro digital não domina por completo as preferências dos leitores. Há ainda quem não se adapte à tela do computador para ler livros. Por isso, acredita-se que, mesmo a um passo da universalização do conhecimento via Internet, o livro dificilmente desaparecerá. Não custa lembrar Umberto Eco que dizia ser o livro um desses objetos que a humanidade não dispensa, sua utilidade está para a vida humana como um espremedor de laranja para uma cozinha. Por isso, aos leitores dos velhos impressos, a calma, os livros não sumirão. E mesmo se sumirem, começaríamos tudo de novo, como os primeiros sumérios da era digital.

Imagem: www.maschamba.weblog.com.ptmaschamba.weblog.com.pt

Sabe Rivamar, que vc tem razão no quesito “ na atualidade o livro digital não domina por completo as preferências dos leitores”. No entanto o presente está sendo espremido pelo congelamento ou até a diminuição da produção de papel. O consumo de árvores já é astronômico; a substituição daquele por plásticos (nenhum supermercado fornece sacos de papel no Br.) o uso do papel reciclado em alta escala aponta na direção do “papel monitor” que algumas empresas estão pesquisando,veja: “a firma E-Ink e a LG Philips LCD, tem um papel eletrônico flexível de 10.1. Com menos de 300 microns de espessura, o produto é tão fino e flexível quanto um papel. O novo E-Ink Imaging Film é um material de exibição que parece com um papel impresso a tinta. Pode ser dobrado e enrolado e utiliza 100 vezes menos energia do que um monitor de cristal líquido. "Você pode colocá-lo no bolso, curvá-lo ao redor do telefone celular ou ainda guardá-lo numa pasta, como se fosse um jornal”, disse o CEO da E Ink, Russ Wilcox. O jornal De Tijd, da cidade Antuérpia, na Bélgica selecionou 200 assinantes para testar a nova tecnologia. Veja que é uma realidade avassaladora e não é para nossos netos.É de assustar!/ Abraços.

Caro

Os livros não sumirão.

O livro digital é uma realidade e tende rapidamente identificar seus leitores. Daí para desaparecer com o livro presencial é outra conversa.

Também não custa lembrar de Chartier, quando ele fala que a mudança de suporte, do codex para o livro eletrônico é mais profunda e avassaladora que a "prensa de Gutenberg".
Será?

Não me furto de ter um livro de papel nas mãos.

Abraço.

P.S. Vim por indicação da Clarice.

Custo a crer que elimine das nossas vidas a leitura no papel.

Com a velocidade do uso de tecnologia virtual em poucos anos o livro se trnsformará em peça rara.

Também não acredito no fim do livro impresso, a leitura na tela é cansativa e sem graça.
O que temo é que cada vez menos tenhamos a possibilidade de uma democracia cultura, como também, o livro passar a ser lido aos pedaços, ou seja, somente nas partes que "interessa".
Obrigado pela visita lá em casa.
Abç

Eu morreria de saudades do papel, viu? Adoro o cheiro dele! rs...
Seu texto me fez lembrar Foucault e sua repugnância pela deformação do livro que, por ser repassado verbalmente ou através de pedaços, acaba transformando-se numa imagem grotesca de si mesmo. É o que pode acontecer com o livro no virtual.
Por enquanto, prefiro pensar no livro aqui nas minhas mãos! rs...
Beijos

A imagem da criança mostra o quanto é lúdico o livro.

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