« Home | O Martelo e a Bigorna » | Armorial X Rinocerontal - Por Carlos Gildemar Pont... » | Babel » | Palimpnóia » | As ruas que andei - por Linaldo Guedes » | Hein!? » | Arte Incomum » | O Martelo e a Bigorna » | Miolos - Por Dácio Jaegger » | Babel »

Arte Incomum


"construtores do imaginário"

"Uma linguagem só não bastava a esse autor. Construía, esculpia, pintava, grudava, revestia. No entanto, ainda faltava expressão: aí escrevia dentro da casa, fazendo dela agenda, arquivo, dicionário. A obra poética foi esticada até os limites". (Carlos Nelson Ferreira dos Santos, arquiteto e antropólogo).

Rio de Janeiro. São Pedro da Aldeia. Uma pequena casa. Uma jóia. Obra-prima da arquitetura espontânea, construída por inspiração de sonhos e devaneios de um homem pobre e semi-alfabetizado. É a Casa da Flor, obra de Gabriel Joaquim dos Santos (1892-1985), simples trabalhador nas salinas, filho de uma índia e de um ex-escravo africano, foi embelezando seu lar com materiais recolhidos no lixo doméstico e no refugo das obras civis do local, guiado por sonhos e uma fértil imaginação. Considerada uma obra prima da arquitetura espontânea no país, a Casa da Flor, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural precisa ser preservada.

Arquitetura Espontânea é uma arquitetura baseada em soluções surpreendentes porque foge dos padrões tradicionais e porque nascida do uso de materiais considerados pouco nobres e nada convencionais. Vem despertando a atenção de críticos e teóricos em todo o mundo e seus autores - os "construtores do imaginário" - estão sendo redescobertos e merecendo, em outros países, a publicação de livros de arte, estudos críticos, filmes, etc. No Brasil, infelizmente, essa discussão é quase inexistente e precisa ser introduzida, já que contamos com um exemplar perfeito e de qualidade inquestionável que é a Casa da Flor.

Fonte: Amelia Zaluar. A casa da Flor: uma tentativa de compreensão. In: FUÃO, Fernando Freitas, coord. Arquiteturas fantásticas. Porto Alegre, UFRGS, 1999.

Arte contemporânea e os novos suportes - a casa.

Helena

Parabéns pelo destaque. Já visitei o Instituto Casa da Flor no RJ. Foi uma das coisas mais tocantes que já vi. A construção poética a partir de retraços de porcela (pratos quebrados), conchas do mar, pedaços de vidros. Um beleza incomum.

Vi uma reportagem na televisão sobre esta casa. De uma beleza rara, demonstra que a pobreza material não atinge a sensibilidade.

Há uma outra casa, de uma família jovem da periferia da cidade de São paulo, cujo proprietário foi presenteado para ir a Barcelona conhecer a obra de Gaudí. E não é que o danado se comparou a ele. Massa!

Cara Helena

Antes quero parabenizar o blog Miolo de Pote pela qualidade dos artigos aqui publicados.

Quanto aos construtores do imaginário é mais um achado de Helena de Tróia, pois a arquitetura espontânea é sem dúvida uma expressão que deve ser documentada e nos revela mais um dos mistérios da arte e nos remonta ao arquiteto catalão Antonio Gaudí, criador de um estilo próprio, estilo onde é possível observar a fusão do neogótico com as sinuosidades da arte nova.

Entretanto o que mais caracterizou a Arte de Gaudí é exatamente o que encontramos na Casa da Flor, obra de Gabriel Joaquim dos Santos - ambos considerados os arquitetos da natureza.

Tróia,

Bingo!!

Miolo de Pote é cultura!!Confesso que nunca ouvi falar sobre o assunto. Esse Brasil ainda é um grande território a ser descoberto.
Beijos.

Obrigado pela visita sempre bem vinda, A arquitetura é minha área e já li alguns trabalhos sobre o assunto. Sugiro ler o artigo "Gabriel, mestre da arquitetura fantástica e sua casa escultura", publicado no livro A MÃO afro-brasileira; significado da contribuição artística e histórica e também conhecer o Catálogo da exposição na XVI Bienal de São Paulo 1981 no item Arte Incomum.

Fantásticos Construtores do Imaginário! Lindo post! Como tudo o que você publica!

Realmente , uma casa muito intressante.Parece de conto de fadas.Pode ate ser feito um filme ai.

Lembra Gaudí.

Tróia

Ampliei a foto depois de ter comentado. Estou mais convencido a casa lembra Gandí.

Helena

Linda casa! Gosto de tudo o que se relaciona com a natureza. Onde leio mais sobre e consigo mais fotos?

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

Artistas como Gabriel compreenderam a exata cadência do seu tempo e do que estaria por vir, desafiando cabeças de críticos e ruminantes das artes plásticas a desvendar a qualidade de seus trabalhos.

Valeu a oena descobrir-te!
Voltarei..
Abraço de Portugal.

Uma simples casa feita com amor e vira uma obra de arte.Um bom final de semana para todos.

É quando a sabedoria do povo se mostra através da arte.

Que encanto! Mas esse tipo de arte não chama atenção por ser singular. Geralmente é enaltecido o vulgar.

Telhas de barro, pratos, garrafas, conchas, ossos, pedaço de vidro, espelhos, azulejos, lajotas, cerâmicas, conchas,...Um rendez-vouz alucinante de fragmentos.

Helena, boa noite.
É emocionante, para mim, é muito tocante porque adoro qualuer manifestação artística popular.
Já vi a casa em matéria na Globo Neuws e fiquei encantada.
Como você disse, aqui essa manifestação artística ainda não tem ressonância, mas neste país, ai, ai, tudo é demorado.
Parabéns! Adorei conhecê-la e obrigada.
Beijos.

Helena de Tróia aproveito esse espaço que respira arte para divulgar nosso espetáculo.

A estréia no Recife foi hoje com o espetáculo "O Canto do Teatro 2005 em Portugal. Estaremos no Teatro Arraial às 20:00h (Rua na Aurora no prédio da FUNDARPE), em cartaz aos sábados e domingos do mês de agosto, até o primeiro sábado e domingo do mês de setembro. Temporada de 10 espetáculos.
Esperamos por vocês!

Heleninha,

vi a casa, certa vez, na televisão (acho que era um documentário). Magnífica. O que o pode a mente...

Bj

Linda, criativa, e espero que agora, sem o seu dono e artista; como instituição saibam cuidar bem dela.

Helena de Tróia

Eu que só escrevo sobre o lado feio do Brasil em meu blog vir aqui é um alento.É pensar que nem tudo está perdido. Uma boa noite!

Olá Helena: a arte e suas manifestações são o que ficam. Excelente essa lembrança. :-) Beijo grande.

Helena,

Não conhecia e fiquei impressionada. Merece todo o respeito o trabalho do escultor da própria casa. Um beijo.

Helena

Eu vi essa casa pela Televisão, ela é tocante. A arte está em todos os lugares.A criatividade na periferia está surpreendendo o mundo com tantos talentos. Parabéns pelo Post.

Soninha

Tenho uma peça em casa de um artista espanhol feita toda em pedaços de vidros coloridos.É simples e bonita.

Helena de Tróia, boa noite!

Não sou da área de artes e posso até falar bobagem. Penso que o patrimônio artístico popular deveria ser estudado nas escolas. A maioria dos estudantes desconhecem a cultura , a arte e os artistas brasileiros..

Dentro da Academia no curso de artes a arte popular é reduzida a uma disciplina e a arquitetura espontânea é vista pela maioria dos arquitetos com um certo desprezo e pior com uma grande indiferença, pois recusam-se até a comentar.

Linda! No RS existem muitos artistas anônimos e emprestam as cidades a sua marca cultural.

Gaudí arquiteto, formação acadêmica projeta prédios que chegam a seis andares, em um deles há uma sala central com 17 mts de pé direto com cúpula envidraçada; inúmeros prédios menores , obras de fundição, revestimentos em tijolos, cerâmicas, azulejos e ladrilhos toca obras iniciadas por outros, conta com a ajuda de artesãos de qualidade é imediatista e financiadores da família Güell. Hoje a catedral moderna de Barcelona é modelada sobre o que Gaudí iniciou em 1883 onde trabalhou quarenta anos.
Nosso Gabriel é o expoente máximo de uma plasticidade primitiva (da criança) em que restos que comporiam aterros, elementos abjetos e recusados por todos, são reunidos pela visão do amor à natureza, pelo efêmero da vida de folhas e flores e frutos e se plasmam
num eterno, enquanto sua vida durasse para lhe embelezar sua existência de homem simples. Gabriel é a pureza coletora homínida e a plasticidade do princípio e Gaudí vem depois, é evolucionista. Valeu Helena, trazer Gabriel à discussão e mostrar que compreendido, hoje sua obra se eterniza pela ação de abnegados. /Beijo

Depois deste comentário-artigo do meu querido Dácio, só me resta dizer que adorei tudo. O texto e os comentarios.
Beijos muitos.

Postar um comentário