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Ficção e Desatino


“Volver” *

Depois de explorar o masculino em seus últimos filmes, “Fale com Ela” (2002) e “Má Educação” (2004), Pedro Almodóvar volta a falar da sua maior paixão: as mulheres. O título escolhido para o filme significa, em espanhol, “voltar”. Não é novidade que essa é mais do que uma simples palavra para o cineasta. Primeiramente, o seu filme fala do retorno de uma mulher já morta que precisa resolver alguns probleminhas pendentes que deixou durante a vida. A personagem, uma avó-fantasma (que já fora citada no filme anterior de Almodóvar, podem confirmar os mais atentos), é interpretada por ninguém menos do que Carmen Maura. Para quem desconhece a antiga obra do cineasta, deve questionar-se por que diabos a volta dessa “zinha” é tão badalada. Maura é a Pepi de “Pepi, Luci, Bom y Otras Chicas Del Montón” (1980), primeiro filme de Almodóvar; encarnou a Irmã Esterco em “Maus Hábitos” (1983), provavelmente o filme mais polêmico do diretor; interpretou um transexual em “A Lei do Desejo” (1987); ou seja, Maura manteve uma parceria de peso com Almodóvar em alguns de seus filmes mais importantes, e esse retorno, que aconteceu depois de quase vinte anos, era aguardado pelos fãs há muito tempo. Outra promessa do cineasta é a volta ao seu velho estilo escrachado, de humor inigualável e, ao mesmo tempo, de drama humano, que vai mais além, com um quê de naturalista.

Ainda sobre o elenco, Penélope Cruz, enfim, parece ter conquistado o papel principal. Depois de trabalhos coadjuvantes em “Carne Trêmula” (1997) e no magnífico “Tudo Sobre Minha Mãe” (1999), lhe foi confiado um papel maior e uma linda foto colorida no pôster do filme. A trilha sonora, vinda de uma parceria que perdura desde “A Flor do Meu Segredo” (1995), é de Alberto Iglesias, um dos compositores espanhóis mais cogitados da atualidade. A produção, claro, ficou por conta (literalmente) da El Deseo S.A., produtora de Pedro e Agustín Almodóvar (este, irmão e braço direito do cineasta) fundada em 1987, tendo como primeiro filme produzido, “A Lei do Desejo”.

Desde o considerado rompimento de estilo, com “Carne Trêmula” (“A Flor do Meu Segredo” seria considerado o divisor de águas), Almodóvar tem sofrido preconceito da parte de seus fãs mais antigos, o que, convenhamos, é uma grande besteira e ignorância não reconhecer a beleza de filmes como “Tudo Sobre Minha Mãe” ou “Fale com Ela”. O que quero dizer é que, por mais criticado que seja, o cineasta sempre retorna com uma surpresa, sendo esta agradável ou não. Quanto a vocês, eu não sei, mas eu já posso ver as cores inebriantes de “Volver” enquanto permaneço extasiada ao som de fortes pisadas de flamenco.

Imagem: Pedro Almodóvar.
www.clubcultura.com

*Último texto da coluna Cinema e Ficção. Próxima segunda, estréia a coluna Zumbido, com Linaldo Guedes.

Viva:

Qualquer actor deve o seu sucesso á sorte dos realizadores que lhe cairam em graça.
Fora isso nunca sairá da penumbra.

Mais uma amiga visita...
como não podia deixar de ser,
E novo artigo no Estados Gerais,
Onde o teu comentário gostarei de vêr.

Um abraço,

Olá Beatriz

O primeiro filme que vi de Pedro Almodóvar foi Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos. Não esqueço da cena em que a protagonista prepara um gaspacho com algumas coisinhas que não integram a receita original.Uma das cenas mais clássicas!

Cara Beatriz

Muito bom o artigo como tudo que escreves!Parabéns!

Almodóvar é um dos poucos diretores que me fazem sair de casa para ir a um cinema:)

Beatriz, gostei demais do artigo, sou fã de Pedro Almodóvar. Sempre leio um site muito legal sobre o cineasta, é sempre atualizado.
http://www.allmodovar.com.br/#

Beijos

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