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Hein?!


Mais60

O Brasil era, como se dizia na época, um país de Terceiro Mundo, sufocado por uma ditadura militar. A geração dos anos 60 passou por aquele tufão numa escala subdesenvolvida, própria do Brasil naquele tempo, que tinha 90 milhões de habitantes e uma renda per capta duas vezes menor que a atual. A mulher de classe média começou a trabalhar fora de casa e a chegada da pílula liberalizou os hábitos sexuais, a música abriu-se ao deboche tropicalista e uma parte da juventude, mais politizada e urbana, imprimiu à época a marca do radicalismo.

O auge da implosão ocorreria em 1968, o ano da liberação do comércio da pílula no país. Mais tarde viria o divórcio e a dessacralização do matrimonio. A relação entre pais e filhos, autoritária e unilateral, também foi pelos ares. Deu-se legitimidade à busca de novas formas de vida, como os hippies, as comunidades alternativas e a liberdade sexual.

E no plano político começaram as passeatas contra o regime militar e terminou com o país amordaçado pelo AI5, o ato institucional que censurou uma nação. A tortura virara rotina e um punhado de jovens entregou-se à aventura delirante de combater o regime com a guerrilha, colhendo uma derrota definitiva. Grande parte dos universitários foi às ruas nas grandes cidades e muitos deles foram exilados ou presos. Os jovens da política agiam sob o signo do voluntarismo. Democracia era um conceito vago, tanto para os generais do Marechal Costa e Silva em Brasília quanto para os jovens amantes da revolução. No fundo, o que os jovens queriam era uma coisa mais radical, uma outra ditadura – a do proletariado.

A esquerda era autoritária e policialesca e depois de 68 ela ficou mais tolerante. No balanço final o ano de 68 marcou mais pela revolução cultural do que pela revolta política.

Imagem: http://mixbrasil.uol.com.br/cultura/musica/tropicalia/tropicalia.shtm

Também sou fascinada por essa época. Acho que os anos 60 foram os que mais provocam mudanças e a juventude tinha duas opões - ou evadir-se ou participar da destruição da sociedade.Evadir-se foi a resposta hippie, deram as costas à sociedade e saíram à procura de outras verdades. Marginalizaram-se e tentaram uma revolução da moral e dos costumes. Parabéns pelo texto , Weberth!
Bjs

Outra texto que me fez viajar! Eita saudades!!! rs
Beijocas

Weberth eu pouco sei dos anos 60 e foi muito legal ler o teu artigo.Um abraço.

Viva:

Não percebi muito bem o espírito do artigo...certamente por não ter vivido o momento.

Um abraço,


Nova postagem no EG a merecer o teu comentário.

Da decada de 60 tenho otimas lembras, com excessão do ano de l968 que politicamente gostaria não tivesse existido. Abs Jarbas

Com certeza, uma época marcada por mudanças sociais, revolução sexual, mas politicamente uma época de descontrução, primeiros passos à Ditadura. Pena que a Contra-Cultura chegou bem mais tarde no Brasil, e nem todos os jovens puderam participar dessa revolução, ela ficou restrita à elite.
Beijão
Soninha

Weberth
Concordo na íntegra com o artigo.Em particular com afirmação de que para a juventude de protestos a democracia era um conceito vago. Parabéns!

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