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Pai, por que não sê-lo?


Se eu morresse hoje poderia dizer, sem hesitação, que acabei sendo um sujeito que não cumpriu efetivamente o seu papel aqui no mundo dos homens, a saber: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Se de fato esta é a missão a que nos cabe, diria então que deixei um legado de incompletude à humanidade. Porém, como a vida é um processo e as realizações são sempre um porvir necessário, a publicação de um livro continua sendo uma proposta em maturação.
Nas minhas leituras de infância o poeta Vinícius de Moraes sempre teve assegurado um lugar de destaque, ao lado de alguns cronistas que através de suas penas reproduziam o cotidiano brasileiro e trabalhavam em função da consolidação do nosso pensamento social. Mas o poeta da paixão era quem dividia comigo o desagradável odor de mijo expelido pela fianga que dormia, companheiro inseparável das antigas noites iluminadas por uma luz incandescente de apenas 20 watts.
Fã incondicional de um Vinicius escritor, mas acima de tudo de um Vinícius boêmio, cheio de namoradas e de um paladar etílico incomparável, tinha algo na minha cabeça que não conseguia resolver com facilidade. Como é que uma pessoa que aparentemente não via a menor graça em criança tinha a proeza de afirmar sua paternidade ao colocar cinco dessas criaturas no mundo? Que o diga o poema enjoadinho, escrito pelo autor.
O filho na visão de Vinícius aparece como um mal necessário, um incômodo prazeroso e desejável. Desde então passei a alimentar a idéia de tê-los em quantidade: um, dois, três, quatro, uma dúzia. Mas na ocasião apenas plantava árvores e sonhava com livros. Eis Monteiro Lobato para nos falar que uma nação se constrói com homens e com livros.
Hoje, depois de tantas árvores plantadas e de um rebento de quase três anos, começo a compartilhar com Max Nunes a tese de que filho único é uma coisa tão chata, mas tão chata que ninguém no mundo consegue ter dois. Por isso multiplicai-vos e nos deixemos perceber “que coisa louca, que coisa linda que os filhos são”.


Texto dedicado a Caio Pinheiro Guedes, responsável pela minha paternidade.

Imagem: www.meutesouro.blogs.sapo.pt

Boa lembrança. Daquele que dedicou aos filhos um poema chamado de "Enjoadinho" e lembra ardores do feito. Mas, como diria o próprio poeta; como saber da maciez de seus cabelos, do cheiro morno de sua carne, do gosto doce em sua boca, que coisa louca, e linda que os filhos são.

Lindo, lindo! Parabéns a você, Riva, pelo belo texto e pelo lindo filhinho. Beijos!!!

viva caio. e viva este belo texto, doga...

Sou fã das pessoas capazes de expressar amor em suas múltiplas formas...Texto comovente e gostoso de ler, pelo seu humor refinado.Parabéns, Doguinha pelo seu dia e por Caio que é um fofo!!!

Precisamos mostrar o currículum político de cada candidato à presidente. CHEGA DE INEXPERIENTES CURIOSOS! Ajudem a combater os candidatos sem experiência! :-)

Gostei desse post. Homem de verdade deve ser aquele que fez astreis coisas.
Felizmente posso morrer tranqüilo, mas vou demorar alguns anos ainda.
Muito grato pelo convite, breve enviarei um texto.
Prabéns pelo dia dos pais;
Abraços
Ismael - Soié -

Diante de tudo só nos resta desejar um feliz dia dos pais!! Um abraço.
William&Odilene

Parabéns pelo texto e pelo dia de hoje!!
Beijos

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