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Palimpnóia

Dona do medo



Detesto avião. Era o que eu dizia até ser obrigada a entrar em um.
Foi há muitos anos. Meu marido trabalhava num longínquo acampamento em Porto Trombetas, plena mata amazônica. Além de ter me negado a morar por lá, me negava a visitá-lo. Só conseguia pensar nos mosquitos, jacarés, piranhas e onças. Nem a falta dele era maior que meu horror aos bichos.
Um dia recebi um telefonema dizendo que ele havia sofrido um acidente. Rezei tudo o que eu não sabia e me vi olhando um destes aviões rombudos, terrivelmente enormes. Ali, prestes a subir a escada, confessei a mim mesma: eu estava me desmanchando de medo. Pensei em desistir e enfrentar não-sei-quantos-dias em não-sei-quantos-ônibus. Mas este meu não saber de tempo e espaço poderia ser fatal. Eu não era dona do tempo, nem da vida do meu marido. Será que ele esperaria o tempo do meu medo?
Entrei na aeronave como caipira em cidade grande. Um tantinho maravilhada, outro tanto grande apavorada. Como é que aquele troço enorme conseguiria voar, meu Deus? Por que Santos Dumont tinha que ter inventado aquilo? Melhor teria sido inventar um metrô que cortasse o chão até a Amazônia. E as preces silenciosas brigavam com o terror que me fazia visualizar todas as tragédias possíveis e impossíveis. Lembrei-me até daquele dirigível que despencou lá no começo desta aventura de voar. E ao final de cada pensamento o consolo era saber que a agonia não passaria de alguns minutos.
O medo ainda me paralisou pelo tempo em que o avião ficou no chão. O coração dançou todos os ritmos quando ele começou a taxiar. De olhos apertadíssimos tentei pensar em flores, mares, estrelas e tudo que pudesse me parecer belo. Só não queria pensar nos meus filhos sem mãe. Nem em mim voando sem asas e candidatando-me a um pouso eterno. E tudo isso sem poder acender um cigarro.
Como por milagre, o medo passou completamente ao receber a ordem de desapertar o cinto. Eu não sentia nada. Absolutamente nada. Nenhum movimento, nenhum barulho ensurdecedor, nenhum cheiro de queimado. Foi a viagem mais tranqüila que havia feito em toda minha vida. Até deu fome. E vontade de tomar sorvete. E um íntimo desejo de fazer poesia.
Ainda penso nela toda vez que uma situação nova ameaça me paralisar. Começo por admitir meu medo. O que nem sempre é fácil. Tenho sempre que me lembrar que não é preciso ter medo de ter medo. Porque o medo é natural. Como posso me sentir corajosa se não há o desafio de enfrentar o medo? E lá vou eu provar a mim mesma que sou dona do medo. Que posso mais do que imagino, embora possa menos do que gostaria.
(Agora eu só gostaria de ser dona das asas. Asas do tempo, de preferência.)

Foi por medo de avião... Belchior cantou a pedra. Eu também tive o meu medo das asas de metal. Beijos de Assis Freitas

Lobita, tenho medo de muita coisa, inclusive de avião. E acho até poético quem se encoraja em falar de seus medos... Eu os tenho, mas falo pouco. Sei lá, eles me aumentam a gripe?! Beijoca!

Nunca viajei de avião. Nem mesmo dei as famosas voltas panorâmicas da minha cidade. E, por incrível que pareça, passear na máquina de asas é um sonho. O momento está chegando, em breve, minhas noites de sono serão povoadas por sonhos malucos de vôos alucinados.

Você sabe, amiga, que nunca tive medo de avião? Cheguei a ter medo, imagine, de escada rolante, mas um dia superei esse medo (inconcebível), subindo e descendo a escada de uma loja várias vezes. Um observador atento deve ter me tomado por uma criança grande, ou um retardado. Às vezes tenho medo de elevador. No mais, estou aqui e me deliciando com os seus escritos atraentes. Um beijo.

Gosto de andar de avião. Quando eu tinha uns 12 anos de idade queria ser paraquedista e aviador. subia em torres altíssimas para pintar e curtir as alturas, a sensação de voar. cresci e fui realmente praticar paraquedismo. Hoje adotei o parapente, que permite plainar por longo tempo.

Oi, amiga: apesar do avião ser o meio de transporte mais seguro, acho que sempre tenho um pouquinho de medo ao subir o último degrau. Às vezes pode surgir uma fatalidade (como a terrível tragédia recente da Gol)e ninguém sabe quem escapará. Aliás, já dizia o grande Guimarães Rosa que 'viver é muito perigoso'. É verdade, o simples fato de vc estar vivo pode ter certeza que um dia irá morrer.(Esta palavra sim, é que nos impõe um medo horrível).
E enquanto isto vamos vivendo procurando 'escapar' da morte.

Um beijo vivo...

Oi, amiga: apesar do avião ser o meio de transporte mais seguro, acho que sempre tenho um pouquinho de medo ao subir o último degrau. Às vezes pode surgir uma fatalidade (como a terrível tragédia recente da Gol)e ninguém sabe quem escapará. Aliás, já dizia o grande Guimarães Rosa que 'viver é muito perigoso'. É verdade, o simples fato de vc estar vivo pode ter certeza que um dia irá morrer.(Esta palavra sim, é que nos impõe um medo horrível).
E enquanto isto vamos vivendo procurando 'escapar' da morte.

Um beijo vivo...

Medo é medo, é para ser sentido e ser superado. O medo é bom as vezes pois, o que seria de nós se não tivéssemos medo medo de colocar a mão no fogo? Beijos Loba-Flor.

Oi, Loba!
Não tenho medo de avião. Aliás, a primeira vez em que andei, o vôo foi curto demais, de Curitiba às cataratas. Quando comecei a "curtir", o avião já estava aterrizando.
Em compensação, em vôo muito longo, fico entediada, porque todos dormem e eu não tenho sono fácil. Às vezes, só dá prá se enxergar as nuvens, não há o que fazer (depois de ler um livro inteiro), a posição é desagradável, não gosto de incomodar os passageiros, quero pedir pra descer...rs
O bom seria viajar de primeira classe...não?
Beijos, Loba medrosa.
Dora

milperdões... nem vou comentar.... mexeu comigo este texto. Entre pânicos e miedos ...rs, escolho o avião para viajar, embora me pese no orçamento... Tens uma estrada de vida percorrida, hem lobita?
beijo meu

sou apaixonado por aviões, na infância colecionava revistas de aviação, gosto em especial dos jatos de caça, mas até hoje só tirei meus pés do chão pra calçar os sapatos.

beijo

Loba, tenho mais medo de andar a pé no centro da cidade...Os motoristas de BH são todos loucos...rs. É fantástico quando superamos algum medo. Por coincidência também falei sobre voar no meu blog hoje. É que estamos no centenário do vôo de Santos Dumont, um cara que não tinha medo... (pelo menos de voar). Um beijo.

Sem tempo até para correr contra o tempo...
Passei a correr mas não podia sair sem deixar votos de uma boa semana.
Beijos

Não tenho medo de avião. Morro de medo é de roda gigante. Mas encaro. Já encarei até montanha russa (morrendo de medo, e de orgulho diante enteados provocadores. Pra fugir de Lula, topo até uma nave espacial. Mas o que importa é o texto da Loba, que, em minha opinião, cumpre os requisitos de uma crônica. Beijos.

Loba, o medo é um sentimento racional quando o sentimos como um alerta para nos livrar de um possível perigo.
Beijos.

P.S. - semana que vem vou pra PoA, de avião... rs. Sem medo... rs.

PRECISO VOAR PRA UM LUGAR DE PAZ!!!
UM LUGAR ZEN!
FASE EX-
TRANHA MINHA.
BEIJO E MUITA LUZ E SAÚDE.
VC É D+

Loba, essa tua história é muito parecida com a minha qdo viajei pela primeira vez, estava com um medo de lascar... mas eu tinha que ir, afinal era a minha lua-de-mel, e eu estava bem acompanhada, é claro, e era o que me encorajava tb... mas depois disso, acabou o medo, adoro voooooar, em todos os sentidos...ahahaha. beijos querida,

Superar os medos é um desafio constante. Vc tem razão qdo diz que é preciso não ter medo de ter medo. Eu, por exemplo, tenho um medo constante: medo de cobras! Sei que é uma paranóia, especialmente pra quem é bióloga, mas tenho que enfrentá-lo sempre que me vejo num trabalho de campo. O mais importante é que eu o enfrento e cada batalha ganha é uma vitoria minha, não é?
Gostei do texto! Gosto deste seu jeito de contar seus "causos"!
Beijos!!

foi uma deliciosa surpresa ver seu comentário mais uma vez , obrigada.
E volto hj aqui e mais uma vez vc esta aqui e não lá, no outro, nas cerejas no sapato, rss.
Nunca tive medo de avião, mas entendo demais sobre isso, tenho alguns medos que me paralizam, um deles é se cruzar com um gato, ( o animal, se bem que dos homens tb, rsss), perco a noção de tudo, outro é passar em pontes, viadutos, eu vou quase arrastada, já cheguei a pedir ajudar pra alguém que estava passando pra me dar a mão senão não conseguiria passar, ve se pode?
linda narrativa,adorei
muitos beijos
linda noite

Eu tenho medo de avião...

Ola! A coisa mais facil de se fazer, desapertar o cinto, e seremos felizes. A contençao necessaria para a segurança se torna imediatamente supressao da liberdade quando desnecessaria. Lembra-me o filme 'Ata-me' do Almodovar. Sou natural la daquele inferno verde e sei bem do duplo vinculo que a mata nos oferece ( mas nunca vi um jacare por la a nao ser no museu Emilio Goeldi). Linda historia, bem gostei! Grande abraço! Deste assiduo amante de tua escrita.

Olá! Lendo seu texto, ao terminar, não podia ir embora sem deixar um comentariozinho, risos...! - O medo de entrar no avião e voar, realmente acelera todo os órgãos do nosso corpo, mas só em pensar que o meio de transporte mais seguro e tranquilo, criamos coragem e enfrentamos o medo de voar!... Sabe como me vejo dentro de um avião? É como se eu estivesse sentada no sofá da minha sala assistindo televisão. Assim não existe medo... E é claro que o medo existe, mas se não existisse como poderíamos enfrentar os perigos da vida, a vontade de ir a luta por algo diferente. Ui, acho que "falei" demais, risos... me desculpe!

Pois a primeira vez que viajei foi numa folha seca apelidada de teco-teco. Fui levar sangue para uma irmã que operada de urgência e de sangue A negativo, não havia conseguido uma viva alma na cidadezinha que fosse compatível. Levantamos vôo em meio a um sudoeste bravo que chegava na madrugada, daqui de Niterói e fomos mais impelidos nas asas do vento do que com o parco auxílio da hélice. Acima das núvens um céu de brigadeiro (todos no chão, naturalmente); a carga mais preciosa, um litro e meio de sangue, numa caixa de papelão com gelo e serragem ia no meu colo porque as paredes laterais de lona ficavam uns quatro dedos da minha bacia; o piso de lona dobrada ondulava como as paredes, mas o sangue tinha que ir e foi entregue, mas uma transfusão de sangue incompatível provocou a ida da irmã de dezessete anos para o céu com as próprias asas.

Euza/Lobinha,

ainda pequeno, já fazia aeromodelos. E no final da infância, início da puberdade, tive a primeira oportunidade de voar de avião! Oh! Maravilha das maravilhas! Sentia como se estivesse voando sobre as nuvens! E depois dessa experiência, nunca mais deixei de viajar de avião, sempre que houvesse essa opção, claro. Adoro voar. Como não tenho asas, aproveito as outras. Até de teco-teco, levantando vôo e aterrisando em pastos de fazendas já andei.
Mas a mensagem maior do seu texto é não ter medo de ter medo. O medo é um sentimento natural e, sem ele, não haveria o desafio de mostrar a coragem. Coragem de enfrentá-lo e de vencê-lo.

Beijos, carinho.

E ai Elza, minha amiga conterrânea,

Andei meio distante envolvido no projeto de criação da Rede Nacional de Blogs que já funciona em 14 estados. E continua crescendo e dando trabalho e mais trabalho, mas todos muito gratificantes. Eu também adoro avião, mas só em figurinhas e revistas. Apesar de que já vou sobre aquela famigerada Serra do Cachimbo onde caiu o boing da Gol. Abs. Jarbas

Bom dia ,Amiga.Viajo de aviao sem medos.Gosto como meio de transporte e como metafora de vida.Aviao lembra ave! assim a sensaçao maior é de liberdade.Uma sensaçao real e mística de que rompemos mundos.Nao gosto muito de naavio(a sensaçao do mar obscuro,frio,líquido sob os meus pés me incomoda mais que o ar...(talvez pela expreiencia de quase afogamento que tive um dia)enfim...o sonho de ìcaro se fez real e estamos sempre tentado escapar de alguma ilha que as asas(reiais ou da imaginaçao possa nos dar"!(sem derreter)Gosto dessas narraçoes de experiencia pessoal,viva(com bom humor.O txto limpo,enxuto está um passeio sob um céu de brigadeiro.Beijao.Dexy

Confesso que não tenho medo não,LOBA. Por mais "perigoso" que possa ser,é algo que foge das minhas mãos e o medo só pioraria a situação.
Beijão!

Acho que todos os que já viajaram de avião passaram por esses momentos terríveis. Minha primeira vez foi do Rio para BH, e mesmo depois de muitas viagens e de saber que é o meio de transporte mais seguro, ainda hoje sinto medo na hora de levantar vôo. Como seria bom se tivesse metrô cortando o Brasil norte-sul, leste-oeste! Eu moraria num deles. Meu beijo.

Lobinha, esse medo é bem parecido com o que senti primeira vez que entrei no bicho-voador. A dorzinha de barriga, o frio nas mãos, aquela incerteza que toma conta do corpo... Felizmente o desafio está a postos e conseguimos superar a onda nervosa. Vc dona do medo, vamos soltar fogos? Abraços!!!!

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