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Palimpnóia


Angústias de uma colunista


Ando levando tão a sério esta minha coluna que as crônicas passaram a ser meu alimento obrigatório. Ler, ler, e ler crônicas – é o que mais tenho feito. Porque manter uma coluna implica em ser cronista. E como cronista, quero escrever textos com uma boa ressignificação do cotidiano, em linguagem coloquial inventiva, e com idéias que proporcionem boas discussões.
Então, toda vez que começo um texto penso em tudo isso. E empaco. Que nem mula velha. E para desempacar, porque algum texto preciso escrever, resolvo não pensar. E sem pensar, não consigo definir o que quero escrever. Até começo com ótimas intenções, mas a minha indisciplina me faz tomar tantos caminhos que o texto vira um amontoado de idéias. A linguagem, pobre coitada, enfia-se em lugares comuns e perde-se em expressões nada originais. O fim desvirtua o começo. E a discussão que é objetivo, e deveria ser conseqüência, vira o martírio do leitor.
Concluí então que apenas ler crônicas não estava me ajudando muito. Fui em busca de descobrir os caminhos do sucesso de um cronista. Meu primeiro encontro foi com Rubem Braga. Parece até que ele estava ali, esperando por mim. Meu alento veio nas palavras dele: “A única informação que a crônica transmite é a de que o respectivo autor sofre de neurose profunda e precisa desoprimir-se.” Foi um ótimo começo para a minha pesquisa. Mas durou pouco. Descobri também que não basta eu ser neurótica, o que verdadeiramente sou. Preciso ser escritora. Porque ainda que o mesmo Rubem Braga defina a crônica como subliteratura, as suas têm a marca e o estilo do grande escritor que é. Subliteratura ou não, ele, Clarice Lispector, Fernando Sabino, Luis Fernando Veríssimo e todos os grandes cronistas são antes de tudo grandes escritores.
Mas e daí? você há de perguntar. O que isso muda aqui e agora? Minha resposta é uma fuga de responsabilidade e mau uso de Fernando Pessoa: não sou grande em nada. Nem no tamanho. Menos ainda nas pretensões. Como poderia querer ser cronista se não sou jornalista nem escritora?
E porque não sou nada nem nada posso ser, também não sei como terminar este texto. Talvez devesse voltar ao segundo parágrafo – que deu nome ao texto - e discorrer sobre as angústias que rodeiam uma pobre ex-professora que se mete a ser o que não se preparou para. Assim eu estaria verdadeiramente me desoprimindo. Mas ressignificar o cotidiano não é exatamente ficar falando sobre minhas neuras. Então, passo-lhe a bola. E usando as palavras de Clarice Lispector a Rubem Braga pergunto a você: “o que escrevo está se tornando excessivamente pessoal. O que eu faço?”


Foto modificada modificada de Jaime Bahia

Aconselhar eu não saberia, mas opinar sem qualquer responsabilidade não me custa: Simplesmente escreva, sem compromisso com o sucesso, e ele forsosamente virá, e se não vier, ninguém morreu, a vida continua, não tá nem aí pra nenhum de nós. Meu beijo.

Nunca considerei crônica como subliteratura. Aliás, este conceito está sendo revisto justamente porque há inúmeras que são primoros textos de reflexão e mesmo narrações.
E a senhora, não seja modesta desse tanto. Escreve muito bem, muitíssimo bem.

beijos

Dona cronista, usando Rubem Braga e Clarice Lispector como espelho dificilmente alguém poderia se considerar bom!
Acho que cada um tem seu estilo e seu valor. Clarice nunca foi lembrada como cronista, embora tenha escrito inúmeras belas crônicas no Jornal do Brasil. Crônicas que fugiam completamente ao que se considerava o formato do gênero. Já Rubem Braga é um dos, senão o maior, cronistas brasileiros. E ainda que ele próprio diga ser a crônica uma subliteratura, sabemos que é um gênero literário que criou vários e bons escritores.
Portanto, siga cronista, contista, poetisa ou escrevinhadora de blogs como vc gosta de se chamar. Importante mesmo é que escreva tudo que queira e da forma que queira porque você é uma das melhores da blogosfera.
Beijos!

Pois quer saber de uma coisa? É claro que vc escreve bem e todos sabemos disso, mas o mais interessante na sua escrita é exatamente o fato de ser excessivamente pessoal. Alguém tão rica em experiências e que sabe dividi-las só acrescenta aos leitores.
Qto à pergunta final, nem imagino o que Rubem Braga respondeu à Clarice, mas sei o que respondo a vc: continue sendo excessivamente pessoal e te garanto que a maioria aqui agradecerá!
Beijinhos
(não se espante, eu e Drica estamos numa Lan aqui na Savassi. Acabamos de tomar um capuccino e viemos te ler. Morra de inveja!!! rsrsrsrsrs)

Euza!!!
Eu ando insuportável..rs.. Mais não tem jeito ainda estou em fase de encantamento com a faculdade, então...rs
Eu tenho um professor que diz (e vc deve repetir isso aos seus alunos...) que escrever é treino! é exercício. Então se vc escreve melhor em prosa, é pq praticou, pq desenvolveu um jeito só seu. é assim, acho eu, que acontecerá com a crônica. E vc aprende fácil. Se bem que acho q vc desenvolve um exto seja lá qual for a "categoria" que ele se encaixe... E deixe de er tão severa!!! Relax... rs.
Agora, a fotinho é de um drama sem tamanho, hein? rs.. Exagerada!!!!
Cadê a Dora pra me ajudar a puxar tua orelha???
Dooooooooooraaaaaaa!!!

Beijos muié!

Euza, alguém disse que o ato de escrever é uma seqüela do ato de ler. E ler é sempre um aprendizado, ler e observar a vida, as coisas do cotidiano. O cronista pode tudo, e pode inclusive escrever sobre o seu ofício, como você tão bem fez nesta crônica. Um beijo.

Loba! A Cherry tá me chamando...Por que será? Não entendi...rs
Como ela está falando da faculdade, vou dizer aqui o que eu me lembro da definição de crônica(que aprendi na faculdade...rs).
A crônica é um gênero híbrido que oscila entre a literatura e o jornalismo, resultado da visão pessoal, particular, subjetiva do cronista, ante um fato qualquer colhido no noticiário ou no jornal.Ou um fato do cotidino, simplesmente. Tipo "flash"... É uma produção redigida numa linguagem descompromissada, coloquial, muito próxima do leitor...e por aí vai...rs
Loba, como vê, seu texto se encaixa nos parâmetros do gênero "crônica". E seu estilo é leve, bem-humorado e intimista.
Eu aprecio esse tom, que parece quase um diálogo entre você e o leitor.
Nada de angústia,porém...(né, Cherry??).
Beijão!!
Dora

Loba, essa menina, essa angústia é de quem quer sempre fazer o melhor. É um bom começo. Crônica, como bem diz a Dora, que entende do assunto, é um gênero híbrido. E revelar traços neuróticos não é um defeito tão grave. Perto de 99% dos artistas, incluindo escritores, sofrem desse mal. Por isso, bola pra frente! Beijo pra você.

Loba!nada de se estressar com a escrita.Tudo deve ser uma catarse(um descarrego mesmo!)um limpar a alma e as vísceras porque nao existe coisa melhor que purgar tudo pela palavra maldita ou bendita! (ando brigando com as palavras(nao serei filologo),mas brigo!(os doutores impoe uma ordem duvidosa!Pretensao a minha(mal escrevo o portuges!)brigar com quem fala línguas mortas?!Por isso eu as vezes nao os entendo! Significados e significantes.Mas..o texto vai além disso tudo.Técnica é bom,mas imaginaçao é melhor!nao tenho muita técnica na escrita,mas..Todo escritor é um neurotico.Queremos dizer do impossível de nós ou..de tudo.Gosto do seu estilo(as vezss,tem dias que atolamos nas ideias,na escrita,nas palavras que teimam nao aparecer...é uma luta ou um trabalho de operario fabrincando peças,ou campones na alvoura,ou mineiro nas minas...é assim mesmo.Beijao ,amiga.Dexy

Loba,dexy outra vez.Seguinte: até hoje nao encontrei o significado da palavra PALIMPNÒIA!OLHEI DICIONÁRIOS ELETRONICOS E NADA.É TERMO GRAMATICAL? (CREIO QUE SIM)ME D~E UMA ESCLARECIDA BÁSICA.CERTO? BEM,A net SERVE PARA EXPANDIR A CULTURA.BEIJAO.

Acho que a resposta a sua perguntar estar exatamente no texto escrito, de forma leve, descontraída, sem compromissos... Eu entendo o que vc escreveu, pq eu mesma já me questionei várias vezes, bem recentemente. relaxa e manda ver, que tá tudo bem... Um beijo Loba. (desculpa as ausências, as vezes te leio, mas não dá tempo de comentar... vc me entende, eu sei!)

eu tambem não domino o que escrevo, as palavras vão saindo umas das outras.
gosto das suas crônicas do jeito que elas são.
beijo

Pois é Euza, estou como você. Vejo que se intarou uma angústia em você sobre essas idéias. Em mim é parecido. Tudo sempre recai a uma coisa pessoal, particular.
Mas acho que mesmo assim você ainda tira de letra. Não tente se comparar a ninguém, se compare apenas com o seu melhor e com tudo o que voce pode fazer, e é capaz.
É aí que está seu grande talento.

Por isso escrebes tão bem e nem notas.

bjos

;)

Acho que não há problema algum,LOBA.
Isto é defeito? Erro?
Claro que não...
Deixe de pensar demais e continue nos proporcionando belos posts.
Beijão!

somos do tamanmho das coisas que desejamos...

adorei isso aqui!

te beijo

Eu como não tenho "estudo" brinco com o sentimento e trazendo tudo pro papel..me admiro com seu jeito de dizer coisas, acho que é dom...prossiga me dando esse prazer.
lindo dia flor
beijosssssssss
*ainda no aguardo do livro :(

Cada vez que entro no seu blog me surpreendo. Seja pelas palavras ou pelas boas novas. Página nova, textos encantadores...Enfim!!! Tudo de bom! Bjus minha querida!

identifiquei com o seu texto. Estou sempre me reconstruindo a minha sensibilidade.

Loba,

Escrever? Eu sempre me preocupei em escrever aquilo que fosse interessante para ser lido, no entanto, descobri que quando escrevemos sem compromisso com o ato em si e deixamos o sentimento fluir... o texto acaba por encantar quem lê! É o que acho.

Saudades de mim? Pois é, dessa vez sumi por mais tempo, né?
Depois de muita dor e sofrimento, estou voltando, recolhendo os caquinho de mim e me reconstruindo... e vou conseguir, vc vai ver!
Espero você de volta ao Espaço, voltei a blogar hoje!

Um beijo Karinhoso e com saudades,

REescreva!
beijo beijo

Minha querida Euza/Loba!

Qualquer coisa que eu diga aquí pode ser desqualificada pelo enorme carinho e respeito que tenho por você, como escritora, como poeta, como cronista, como mulher, como amiga. Mesmo assim, sinto-me no dever de deixar registrado que, com todos esses sentimentos me unindo a você, não poderia deixar de dizer que amo tudo aquilo que você escreve. E todas as terças feiras, já é praxe: mesmo que alongue meu dia (sabe que durmo cedo), dou um jeito de passar por aquí antes de dormir, pois adoro suas crônicas. Sempre leves, bem estruturadas e bem humoradas. Só não gosto que fique abusando de tanta modéstia, pois isso não é próprio de você, que conhece a dimensão do seu talento, do seu conhecimento e do seu dom com as palavras, sejam elas colocadas em que forma quiser. Continue sendo apenas você e nós, seus leitores, seus fãs, seus apaixonados, continuaremos felizes, embebedando-nos com suas palavras e com elas aquecendo nossos corações e mentes.
Será que falei demais? Acho que poderia ficar aquí, horas e horas tecendo loas à minha musa. Mas o soninho tá batendo... e espero sonhar com você.

Beijos, saborosos.

Euza, vc pode nao ser a escritora que busca ser, tampouco a cronista que diz que nao é (nao tenho certeza), mas que será cedo ou tarde isso tenho certeza. Naoq eu tenah sido professora ou nunca jornalista. Que importa? A vida é de quem ousa chegar primeiro aonde ainda nem é... E vc, me parece, é, não é? (rs) Beijocas.

Os resultados sâo insuspeitáveis. Publicar algo é esperar alguma condução. Que sugerir? Volte a suas elocubraçôes pessoais onde te mostras mais presente. A escolha é só sua, gostar da fímbria pululante ou dividir do ínfimo que é o melhor do que nos constitui.

Em todo miolo-de-pote, como em Palimpnóia, o que mais se vê é humildade dos autores.São tantos conhecimentos e talentos, como da Loba ( Euza), que fazem a gente ficar de boca aberta quando lê. Que bom que o cérebro não tem placa mãe que quebra e apaga todos os registros( somente em caso de doença).Assim continuaremos ( nós, os simplesinhos, os que escrevem arroz com feijão, e mineiro) a desfrutar de deliciosas leituras.
Parabéns e um abraço Uai!

vc é ótima Loba, e como disse lá...
NECESSÁRIA!!!!

UM BEIJOOOOOOOOOOOOOOO

Essa anopnima sou eu..
Alegria visse? beijosss

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