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O Martelo e a Bigorna

O vácuo deixado pela ética

Há menos de seis meses, numa aula em uma turma de calouros do Curso de Pedagogia de uma universidade federal fiz uma afirmação que, para muitos, soou um tanto quanto pessimista e desmotivadora. O contexto não era dos mais propícios, uma vez que é quase unanimidade entre os recém ingressos no ensino superior achar que esse rito representa, num primeiro momento, um largo e decisivo passo rumo a ascensão social. Na ocasião afirmei que, nós brasileiros, ou mudamos radicalmente nossa cultura política e passamos mais a valorizar e, sobretudo defender a meritocracia como regra, em detrimento do apadrinhamento e do clientelismo, ou corremos o fatídico risco de ver a educação ser tratada novamente como um artigo de importância secundária.
Num país como o Brasil poucos são os que estudam simplesmente na perspectiva de aquisição de capital cultural, de ambicionar o saber em função de uma formação intelectual sólida por si só. A educação desde que passou a ser democratizada em nosso país, sempre carregou consigo o discurso de ser um mecanismo capaz de melhorar a capacidade econômico das pessoas, de proporcionar-lhes conforto e estabilidade empregatícia. Assim deveria ser, mas essa receita pouco tem funcionado.
Para o sociólogo alemão Max Weber, o Estado só é possível de funcionar convenientemente bem se a ele estiver atrelado um aparelho burocrático eficiente, pautado em critérios como competência e imparcialidade no seu exercício profissional. Uma burocracia formada a partir do mérito, não através da indicação e do apadrinhamento.
No Brasil o que se tem observado, sobretudo no Nordeste em suas instâncias burocráticas de âmbito estadual e municipal, é que o capital social é muito mais vantajoso do que o capital cultural. É através desse capital social, ou seja, dessa rede de contatos que as pessoas estabelecem entre si, que é possível demarcar seu espaço de trabalho no mercado, sobretudo na administração pública.
Os concursos estão cada vez mais parciais e sem idoneidade. A falta de lisura e valorização de pessoal capacitado se faz presente em substituição por uma parasitária pseudo-burocracia, inoperante e cada vez mais dependente de políticos influentes no aparelhamento do Estado.
Nos programas de pós-graduação de quase todas as instituições públicas do Nordeste o que tem sido observado é o corporativismo e o apadrinhamento nos processos seletivos. É grupinhos de pesquisas da graduação sendo transplantados para programas de mestrado e doutorado sem qualquer critério. É o fim da meritocraria e caminho de uma sociedade cada vez mais sufocada por leis e pela pessoalização das relações burocráticas. Parece que o país estar ficando cada vez menos ético, e engana-se quem pensa que a lei vai preencher o vácuo deixado pela ética.
A baixa estima de nossos estudantes universitários, sobretudo os que ousam enveredar pela área das humanidades é reflexo de que a educação há muito deixou de ser essa promessa de felicidade. Quanto menos éticos forem nossos políticos e aqueles que dispõem de influência e decisão administrativa, maior será a inoperabilidade de nossa burocracia e a baixa estima daqueles que ironicamente ainda são classificados como o futuro deste país.
Depois de ter permanecido sete anos na universidade, onde graduou-se e pós-graduou-se em jornalismo, um amigo meu de nome Bosquinho reconheceu decepcionado que havia saído da condição de futuro da nação para se inserir num programa social do governo. Quanto mais isso acontecer, como vem acontecendo, menos interessante se tornará a educação nesse país. Enquanto prevalecer a Filosofia do QI (Quem Indique), menos fascinante será a educação para nossos jovens e para a prosperidade social.

Imagem: http://www.hsc.org.br/etica/etica.jpg

Perfeita sua analise. Fico irado como as coisas se processam neste país do jeitinho. Parece que nao vale vocaçao,respeito profssional.vale o QI...,vale a corrupçao,a cola,os gabaritos comprados .Tudo por um diploma que nao vai produzir um profissional responsavel,ético. Diploma ,no mínimo, virou coisa para tirar proveito :se o cara virar bandido tem privilégios por ter curso superior!Isto é uma tragédia cultural! Dá um desgosto nascer num país assim:podre de cultura ética.Abraço.dxy

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