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O Martelo e a Bigorna


O fim da boemia bertóldica

Certa ocasião, li uma crônica de Biu Ramos que descrevia a vida mundana de um inveterado boêmio da capital paraibana. Um sujeito que, nos anos 70, de sua companhia sempre teve um violão e meia dúzia de amigos apreciadores da água que passarinho não bebe.
Apesar de reconhecido talento como galanteador, o boêmio não renunciava a condição de noivo de uma bela moça do bairro. Argumentava que sua mulher era exemplar único, que jamais haveria de encontrar uma figura feminina com o seu perfil, capaz de tolerar um violão, amigos e noite a fio de um amante das madrugadas.
Diante de tamanha cumplicidade, o boêmio receoso em perder a ultra, mega, hiper-amélia optou por contrair laços matrimoniais. Na primeira oportunidade em que se aventurou sair com o violão, imediatamente presenciou a reprovação da esposa, que retrucou em tom suficientemente alto para se fazer ouvir pelos amigos do marido que o esperavam na calçada: “Tenha vergonha. Para onde você pensa que vai com esse violão? Você agora é um homem casado, seu irresponsável, não esqueça isso”.
Três décadas depois a capital paraibana perde outro afamado boêmio, ao testemunhar na noite de hoje o casamento do soldado PM Edson Bertoldo. Conhecido por um par de olhos verdes, que aumentam de tamanho depois de dois copos de cerveja, Bertoldo é, provavelmente, outro que a instituição do casamento egoisticamente vai privar às madrugas e aos amigos.
De um Bertoldo boêmio, namorador e tagarela fica a lição de que a vida é para ser vivida em um minuto; de que soldado de polícia não ganha por produção, por isso não precisa andar por aí arrotando valentia e prendendo todo mundo, sobretudo os bêbados; e, acima de tudo, fica a lição de que a amizade é um dom de todos e que a todos deve contemplar indiscriminadamente.
Agora resta implorar a esposa Adenilda que ponha uma rubrica nos termos desse casamento, concedendo a Bertoldo uma vez por ano a alforria casamentária por um dia, para que nós, pobres amigos, não percamos definitivamente o prazer de desfrutar da boemia bertóldica.

Imagem: Boêmios – Tela de Heitor dos Prazeres

GOSTARIA DE SABER ...E PERDOEM A INORANCIA~~~QUEM DIABO E BIU RAMOS...

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