« Home | BABEL » | Darklands - Por Pablo Capistrano » | Poemando » | BABEL » | TEMPO, TEMPO, TEMPO, TEMPO » | NOTAS » | Palimpnóia » | » | BONECA VERMELHA » | O MARTELO E A BIGORNA »

O MARTELO E A BIGORNA


As múltiplas faces do Rei

De férias do Miolo há quase um mês, farto de trinta dias de usufruto excessivo de ócio, álcool e lazer, volto a pegar a pena para refletir sobre assuntos do cotidiano. Mas sem deixar para lá as férias, o chato delas é que você acaba por negligenciar assuntos merecedores de algumas linhas. Hoje volto a dezembro de 2006, aproveito para falar sobre o cantor Roberto Carlos, personagem marcante da programação de final de ano da TV Globo.
É bem verdade que quem é rei nunca perde a majestade, mesmo nas conturbadas crises de carisma. Assim tem sido o cantor Roberto Carlos, uma vez que está mais para um nobre em momentos difíceis, vivendo apenas a sombra de seu status. O show de final de ano apresentado pelo cantor representou bem sua trajetória artística, marcada por um hibridismo fonográfico que varia entre canções clássicas e músicas descartáveis.
Nos anos 60 e 70 tivemos um Roberto ousado, subversivo e rebelde, imortalizado por um comportamento avesso aos padrões impostos por autoridades de chumbo. Ícone da Jovem Guarda, nessa época Roberto alcançou em sua carreira uma base musical sólida, responsável até hoje pela resistente figura real.
Na década seguinte, anos 80, a rebeldia sucumbiu às pulsações das emoções, então passamos a ver um Roberto romântico, de voz suave e de frases de amor que compõem o melhor da enciclopédia romântica nacional. Nessa fase o artista consolidou seu título e coroou sua realeza.
Nos anos 90 tivemos um Roberto picolé de chuchu, insosso e sem qualquer referência ao ídolo das décadas anteriores. De rebelde e romântico, o Roberto agora é melancólico e excessivamente religioso, apagado por traz de uma cortina chamada Maria Rita, álibi para um músico submerso em sua própria falta de criatividade e inspiração.
Portanto, surpresa não foi para ninguém ver em dezembro passado um Roberto cantar música funk ao som de MC Leozinho, tampouco será ver este ano um Roberto atracado nas asas de um Calypso. Roberto, um cantor de todas as décadas e para todos os gostos. Mas fica a preferência por um Roberto romântico e rebelde, um Roberto capaz de servir de referência musical para as gerações que virão.

Oi Rivamar

Nunca fui súdita de Roberto, como dona Monita minha mãe, mas como negar a beleza de muitos dos seus versos majestosos( principalmente cantados por Maria Bethânea)Também prefiro o Roberto que andava no seu carro vermelho, com cabelo na testa e dono da festa...
Na ânsia de manter coroas e cedros, os artistas as vezes esvaziam-se e sobra ausência do essencial , a despeito inclusive de talentos marcantes como o do nosso rei. Ah dona Monita tb prefere a fase da saudosa jovem guarda, mas continua prestigiando religiosamente os especiais de final de ano da Globo e claro chorando de amor......
beijos
Carol Montone

Postar um comentário