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TEMPO, TEMPO, TEMPO, TEMPO



Foto de Ricardo Zerrenner (www.olhares .com.br)





Todo início é de um certo medo. Estou sem tempo e aturdida com uma mudança de fuso horário, digamos assim. Minha casa e minha vida começam este ano de cabeça para baixo, como uma mala cheia de roupas sujas misturadas a outras intactas, a minha espera. Chego de viagem e tenho o texto do Miolo para postar. Trata-se da primeira missiva do ano para vocês meus caros-raros leitores, afetos desconhecidos e instigantes, o que significa uma missão e tanto. Dadas as circunstâncias, a única solução - tão rápida quanto necessária – é entregar-me corajosamente aos verbos triviais de um recomeço para dizer deste outro janeiro, mês propício para faxina na alma e no armário, época aonde a rigidez dos capricornianos atormenta as férias . Se você conhece um capricorniano sabe que esse signo é sinônimo de planejamento. Os nascidos nesse espaço do zodíaco costumam inclusive projetar coisas inverossímeis, mas sempre dentro dos seus próprios parâmetros de risco e benefícios, mas tudo bem...qual de nós pode atirar a primeira pedra.... então salve especialmente todos os nascidos em janeiro e salve o ano novo!!!!!

Queria ser como Dom Quixote, para quem a batalha era também seu descanso, mas confesso que me assustam tantas providências internas e externas para pelo menos tentar fazer o mínimo possível, em prol daquilo que almejo para esse novo calendário. Estive em companhia de uma criatura ímpar nos últimos dias, minha irmã e escritora Mônica Montone (http://www.finaflormonicamontone.blogspot.com/) na cidade maravilhosa, que apesar dos inimigos do reino continua a ser o Rio de Janeiro de sempre....lindo. Mô é aliás a paulista mais carioca que conheço, juntamente com a trupe seu Januário e Izildinha. Entre uma caminhada e outra , um chá, vinho tinto e água salgada, falávamos que hoje as pessoas correm tanto contra o tempo que é quase uma heresia falar apenas da vida num começo de ano...das imbecilidades e delícias vitais ...os assuntos certos são projetos e resoluções a curto prazo. Entra ano e sai ano e esse tipo de obsessão faz com que não nos olhemos nos olhos e pra que tanto sucesso sem reciprocidade????

Eu também tenho minhas empreitadas, mas venho aprendendo com os cariocas que relaxar é preciso....assim como "navegar"...(claro). Apesar do caos, que essa cidade brasileira representa como nenhuma outra, as ruas de lá conservam um jeito brejeiro. São como meninas sapecas ...lá a violência, por mais que tente, ainda não conseguiu matar a alegria de um povo que é carnavalesco de nascença. Acho isso bonito.

De votla ao meu berço paulista, que honro e amo, queria iniciar 2007 sem querer tanto, como ensina a filosofia budista. Parece claro que as expectativas são fontes de sofrimento, mas como ainda não atingi esse patamar de coerência...quero unicamente não parar de sonhar, haja o que houver, porque afinal isso seria morrer...” A vida é sonho e os sonhos sonhos são” Shakespeare. Meu maior medo é esse....viver só da realidade ... Quero sonhar e crer que pessoas inocentes não morrerão mais queimadas ao tentar usar um trasnporte coletivo para ir e vir neste mundo do absurdo em que vivemos. Esse também é meu voto de felicidade para você leitor do Miolo, desejo que nada te faça parar de acreditar na possibilidade.......

Por fim, penso ser a paciência uma qualidade essencial nos anos pares e ímpares. Não à toa a palavra deriva em latim dos termos sofrer e resistir. Como é difícil conviver com tudo aquilo que nos aflige...então...que busquemos, cada um à sua maneira, formas de desenvolver esse ofício de ser paciente, principalmente conosco.
Pablo Picasso costumava declarar que não o importava nada do que tinha feito, mas sim o que devia fazer. Radical ele - opino - pois no passado também há força de referência para realizar o futuro. Quem de nós, entretanto pode contentar-se com o que viveu, mesmo que seja saudade?? Pois que venha 2007!!!! Um grande beijo à todos e votos de que o Miolo continue remando com força total, mesmo diante de tempestades anunciadas .......
PS: Euza querida...eu quero você aqui conosco. Por essas e outras, que daria tudo por um varinha mágica de condão que me fizesse fada de todos os meus mais loucos desejos .....


Carol Montone é jornalista e atriz e colunista do Miolo-de– Pote aos sábados


Carolzita, espero que você não deixe de sonhar nunca, mesmo, pois seus sonhos te fazem bela [só temos que tomar cuidado para não misturar sonho e devaneio e isso é muuuuuuuuito difícil, a linha que os separa é tênue demais, né? rs*].

Bom saber que você gostou de estar aqui. A casa ficou vazia sem vocês e confesso que estou meio perdida no silêncio do meu quarto [até chorei!].

Quanto a peça, ainda nem está escrita, trata-se de um projeto, mas torço [e hei de trabalhar] para que se realize.

beijocas e boa chegada na terrinha



ps: comece o ano arrumando suas gavetas externas [isso ajuda a arurmar as internas ;o)]

Começo de ano é sempre assim. Parece que estamos sempre propensos a botar tudo em prática, planejar e limapr um pouco a alma.
Também estou assim em fase de renovação.
Coisas do mês de janeiro hehe.

Tenha um lindo 2007 então
bjos
:)

oi carol muito bom seus poemas e tudo

feliz 2007
bejus

Oba, teatro Montone???? vou adorar!!!!
eu tb, querida, hoje de volta depois de 26 dias de estrada, montes de roupa pra arrumar.... e bem no meu aniversário, 31 anos comemorados lavando roupa, hahaha
beijos

Oi Carol, o tempo é talvez a maior ambiguidade do mundo. Ele, nos ganhamos enquanto perdemos e perdemos enquanto ganhamos. A cada aniversario temos um ano a mais ou um ano a menos pra viver?
Sou capricorniano e nessas epocas fico de mal com o tempo. Ele nunca para, nunca espera, é imparcial.
bjs.

Carolzinha, querida! Tudo na vida é cíclico... até o nosso olhar e sentidos sobre o tempo!
Repetindo não-sei-quem: há o tempo de ficar e o tempo de ir... mas a tb o tempo de voltar, né?
Obrigada, viu? Vc é muito, muito querida.
Grande beijo e siga firme nesta escrita bonita, sensível e contagiante! É muito bom ser sua leitora!

Carol,
esta cidade se pudesse alcançar estes escritos lhe renderia os rapapés que tão bem seus habitantes fazem aos seus visitantes. Faço-os agradecendo os elogios a ela dirigidos, ao seu povo e seus costumes, à maneira carioca de se relaxar frente às vicissitudes, sorriso largo e o tapinha nas costas.
Um texto pra ninguém botar defeito/Beijos

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